O Plano Real ainda não se materializou em uma trajetória de crescimento sustentado. O Produto Interno Bruto (PIB) deverá aumentar 3% em 1997, mas o crescimento da indústria brasileira será menor. As restrições ao crescimento se localizam no setor externo, mas a causa básica está na lentidão das reformas estruturais. Estas são as principais conclusões de análise feita pelo Departamento Econômico da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e contidas em edição especial do Informe Conjuntural da entidade para marcar os três anos do Plano Real.
Segundo o Informe, coordenado pelo economista José Guilherme Almeida dos Reis, o forte crescimento que se seguiu imediatamente à queda da inflação - determinado pela expansão da demanda das famílias, pelo retorno dos mecanismos de financiamento ao consumo e pelo aumento do investimento - não se sustentou. As medidas de ajuste, adotadas por problemas no balanço de pagamentos, contiveram a atividade produtiva, o que faz com que o ritmo de crescimento pós-Real esteja longe de ser intenso. Mesmo que o crescimento médio do PIB tenha alcançado 4,4% no período 1994/96, as taxas anuais foram progressivamente menores, culminando com uma taxa de 2,9% em 1996. Para a CNI, o ambiente da atividade econômica continua contido este ano. Há expectativa de um crescimento apenas moderado no segundo semestre. Neste cenário, a estimativa para o crescimento do PIB se mantém em torno de 3%, que ainda é reduzido.
Desempenho O desempenho do setor industrial, segundo a CNI, tem sido inferior à média da economia nos últimos anos, com uma taxa de crescimento de apenas 1,6% ao ano no biênio 95/96. Em consequência, a participação do setor na economia reduziu-se, alcançando em 96 proporção inferior a 31% do PIB. Esta perda deverá se manter novamente em 97, uma vez que se estima um crescimento de 2,7% para a produção industrial, menor, portanto, que o crescimento do PIB.
O informe da CNI aponta como causa da limitação do crescimento o setor externo. Em função da abertura da economia e da valorização da moeda, as importações se mantêm elevadas. As exportações, enquanto isso, permanecem semi-estagnadas, registrando um déficit comercial elevado e crescente.
As restrições externas, contudo, refletem apenas os desajustes estruturais que ainda não foram equacionados. A razão fundamental para o baixo crescimento, afirma o estudo, está na lentidão das reformas estruturais, que colocam o País em condições de competitividade inferiores aos seus parceiros internacionais.
Apesar dessas dificuldades, garante o Departamento Econômico da CNI, não há dúvida de que houve uma recuperação da atividade industrial no terceiro ano do Real, após a estagnação verificada no ano passado. Esta recuperação, detectada nos indicadores principais da atividade industrial, embora expressiva, ainda é inferior àquela registrada no primeiro ano do Plano Real.
A produção física da indústria aumentou pouco mais de 6% entre julho de 1996 e abril de 1997, comparativamente aos 12 meses anteriores. Na média do período Pós-Real, segundo o documento, o crescimento da produção é de apenas 3,6%. As vendas da indústria mostram evolução semelhante, porém com um ritmo maior de expansão, já que no período como um todo, alcançaram 9,7% em média, ao ano.
Emprego O terceiro ano do Real também é marcado pela continuidade de redução no emprego industrial, com uma queda de 4,3%. No período pós-Real como um todo, a redução do emprego industrial ultrapassa os 10%. As razões para isso estão no ajuste estrutural que vem se registrando no setor desde o início da atual década. Este ajuste foi motivado principalmente pela abertura comercial e foi apenas minimizado durante o período de forte crescimento que se seguiu a implantação da nova moeda.
A competição com os produtores estrangeiros e as mudanças tecnológicas e gerenciais nas empresas força-as cada vez mais a aumentarem a sua produtividade. No restante da economia, no entanto, em especial no setor de serviços, houve uma moderada expansão no nível de emprego.

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