Real: luz amarela em alerta
Real: luz amarela em alerta
Ismael Mologni
Está acontecendo o que se temia, isto é, o pacote fiscal de outubro/novembro do ano passado, lançado pela equipe econômica para neutralizar a saída de capitais, não foi suficiente para o equilíbrio interno das contas públicas, conforme era esperado pelo governo. Aliás, somente o governo dizia isso, pois os demais analistas independentes alertavam para o agravamento da situação, uma vez que o problema central era e continua sendo a valorização do câmbio, ou seja, o real forte demais perante o dólar americano.
Com essa situação, provoca-se déficit nas contas externas, necessitando manter taxas de juros altas para financiar o referido déficit e criando internamente queda da atividade econômica e o consequente desemprego com as pressões sociais contra o próprio governo sobre o capital social básico.
O aumento das reservas externas atraídas pelos juros funciona mais ou menos como o cheque especial, ou seja, se o gerente do banco aumenta o limite e o indivíduo gasta mais, paga-se mais juros altos e assim falta dinheiro para os demais gastos fora do sistema financeiro. Neste caso, o importante é possuir cheque simples, mas com saldo positivo, sem necessidade de pagar juros estratosféricos e evitar a subtração da renda líquida.
Para o País, analogicamente, é a mesma coisa. O novo pacote fiscal que está sendo cogitado pelos técnicos do governo virá com mais aumento de impostos sobre a população e diminuição do crédito para investimento, seguindo o receituário do Fundo Monetário Internacional que, aliás, está no Brasil checando as contas nacionais neste final de maio.
A projeção para o crescimento do PIB para 1998 é de apenas 1%, quando a população está crescendo a quase 2% ao ano. Assim, existe a possibilidade de obter PIB per capita negativo, quando o Brasil necessita de crescimento superior a 5% para atender a mais de 1,5 milhão de jovens que chegam ao mercado de trabalho, além dos desempregados, atualmente como oferta de trabalho e o resultante achatamento salarial.
Desde o início do Plano Real, o preço da terra caiu em média 61% (dados da Fundação Getúlio Vargas - FGV) provocando a descapitalização patrimonial do verdadeiro produtor rural, diferentemente do especulador, como reserva de valor e ou artifícios de transferências fiscais das grandes corporações financeiras e industriais deste País.
Ocorre dupla descapitalização, isto é, uma quando precisa vender e deixar a atividade para pagar dívidas de custeio e a outra, quando da referida venda a desmobilização do ativo é feita pela metade do preço, portanto, perdas ocasionais pela má condução da política econômica do Governo.
No entanto, a agricultura a nível de País vem ajudando no saldo comercial com o exterior, diminuindo o déficit na balança comercial. Assim sendo, é preciso corrigir o rumo da Economia, fazendo ocorrer o crescimento econômico acima de 5% ao ano via financiamento para o setor produtivo, a juros menores que os atuais, ou seja, a nível internacinal, que está em torno de 8% ao ano como forma de sair do estado semi-recessivo em que se encontra a economia brasileira. A valorização cambial de 34% continua sendo a variável central da turbulência dos juros altos e do desemprego no País.
ISMAEL MOLOGNI é economista.





