Brasília - A possibilidade de uma valorização do real ante o dólar, em decorrência de operações especulativas no mercado de juros, preocupa setores do governo.
''No mundo já há sinais de que o carry trade (operações que exploram o diferencial de taxas de juros e a oscilação das moedas dos países) está voltando e o Brasil não fica de fora desse processo'', disse uma fonte da equipe econômica.
'À medida que o diferencial de juros fica mais evidente, os investidores externos tendem a trazer mais capital para o Brasil, o que leva a uma valorização do câmbio'', disse outra fonte do governo. Por isso, a defesa de que o BC não deveria diminuir o ritmo de queda na Selic, mantendo um corte de 1,5 ponto porcentual pelo menos nas próximas reuniões do Copom em abril e em junho.
Essa avaliação não é consenso. Há setores que tem outro entendimento, como o de que o movimento de valorização de moedas contra o dólar é mundial e tem muito mais relação com a diminuição do nível de aversão ao risco.
O fato é que o assunto está em discussão pela equipe econômica. Anteontem, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, apresentou argumentos de defesa contra as críticas de que os juros altos estimulam a valorização do real.

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