Curitiba - O consumidor enfrentou uma alta de 300% no conjunto dos preços das tarifas públicas nos dez anos de vigência do Plano Real. De acordo com pesquisa do Dieese-Senge, o aumento dos preços administrados e monitorados superou e muito o índice de inflação no período analisado, que variou de 170% a 180% de acordo com os índices oficiais medidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Antes do Plano Real, as tarifas públicas tinham um peso de 16% no orçamento das famílias e depois dobrou essa participação, passando para 32% do orçamento familiar.
A pesquisa revela que somente o salário mínimo apresentou variação na mesma proporção das tarifas públicas nos dez anos de real, com uma elevação de 301,30%. As demais categorias, porém, cujos índices salariais são pactuados conforme a evolução do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), do IBGE, a variação salarial no período ficou em 178,28% e ''mesmo assim com muito custo das categorias de trabalhadores'', disse o economista Cid Cordeiro, do Dieese.
O campeão de aumento durante o Plano Real foi a assinatura residencial do telefone fixo que teve variação de 5.155,74% entre julho de 1994 a junho de 2004. O pulso do telefone sofreu elevação de 329,60%, a energia elétrica residencial, de 306,16% e as tarifas de ônibus tiveram aumento de 692,60% no período analisado.
O valor das tarifas públicas deu esse salto durante o Plano Real em função da privatização. Antes da venda das estatais, o governo federal promoveu um tarifaço para tornar as empresas atraentes nos leilões de privatização. Depois as tarifas se mantiveram com reajustes acima da inflação em função de contratos firmado com o governo, cujo indexador foi o Índice Geral de Preços de Mercado (IGPM), que reflete a variação cambial, ou seja as tarifas ficaram indexadas ao dólar.
Segundo Cordeiro, o Plano Real promoveu uma desindexação geral da economia, mas manteve a indexação das tarifas nos contratos de privatização, o que está provocando mudanças de comportamento das famílias. Elas tiveram que reduzir gastos com educação e saúde para dar conta do pagamento das contas mensais.

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