Real está longe do fracasso, diz Maílson
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sexta-feira, 14 de novembro de 1997
Carina Paccola Londrina 
Dorico da SilvaTrauma coletivoMailson da Nóbrega: Os brasileiros têm um histórico trágico de fracassos, que agora vêem à lembrança O Brasil continua com um bom projeto de estabilização e criando as condições para voltar ao crescimento sustentável. Esse trajeto tem riscos. O principal seria uma interrupção do financiamento externo produzido por uma crise fora do nosso controle. Estivemos perto disso. Mas o governo está no caminho certo. A análise é do ex-ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega, que esteve ontem em Londrina para falar a empresários a convite do Banco Sudameris.
Segundo Maílson da Nóbrega, o governo teve coragem de tomar medidas impopulares, mas demonstrou o seu compromisso com a estabilização. A recompensa futura é a estabilidade. É um período de turbulência, que vai trazer sacrifícios. Mas em uma transição tão complexa, depois de um período de inflação, de crise no Estado, é evidente que haja muita confusão, perplexidade, medo.
O ex-ministro ressalta que nós, brasileiros, temos um histórico trágico de fracassos, que vêem à lembrança agora nesse momento de crise. Mas isso passa à medida que as pessoas percebem que não é o Plano Cruzado 2. Todo ajuste é doloroso. É como uma doença. É melhor se submeter a um tratamento - mesmo que seja doloroso - do que morrer, compara.
Segundo ele, a sensação que se tem é de final de plano. Daqui a um mês, as pessoas vão ver que não é nada disso. Estamos longe de um fracasso do Plano Real. A inflação não vai explodir. É um plano bem desenhado, feito num momento oportuno, analisa. Para o ministro, se a estabilidade em si não melhora a vida das pessoas, é a pré-condição para melhorar. Não existe país viável com inflação. Para crescer, são necessárias as reformas; tem que achar uma saída para a Previdência; melhorar o sistema tributário; aumentar a taxa de poupança.
Maílson da Nóbrega diz que o crescimento não é uma questão de ter vontade. É uma reunião de condições, como a estabilidade, a competição de mercado e um nível satisfatório de poupança. O ex-ministro lembra que o Brasil tem 60 anos de política geradora de concentração de renda, que não acaba da noite para o dia. Isso leva tempo. Com o Plano Real, o Brasil tem 25% menos pobres do que tinha. Cresceram os investimentos externos, houve ganho salarial, aumentou a produção. O Plano não resolveu o problema do Brasil, mas para isso é preciso muito trabalho. Foi assim na Suíça, nos Estados Unidos.
De acordo com ele, a crise atual é tipicamente asiática que acabou respingando em todo o mundo globalizado. É uma grande crise financeira global. Ainda estamos por construir mecanismos de coordenação entre as nações para evitar que essa globalização financeira, que implica na existência de uma massa de trilhões de dólares, produzindo a mais gigantesca liquidez, possa se mover de um lugar para outro sem produzir estragos desnecessários.


