Real corre risco de ataque especulativo
PUBLICAÇÃO
domingo, 21 de setembro de 1997
Antonio Carlos Seidl Agência Folha 
Os fundamentos econômicos são melhores, mas o Brasil ainda tem um déficit em conta corrente elevadoO Brasil ainda não está livre do efeito Ásia - ataque especulativo contra a moeda e as ações no país -, segundo Paulo Leme, 42, vice-presidente e economista-chefe do banco de investimentos norte-americano Goldman Sachs. É um risco pequeno, mas, no meu entender, aumentou nas últimas semanas, porque a situação na Ásia é pior do que se pensava.
Leme diz que o elevado déficit em conta corrente (medição de todas as transações do país com o exterior) torna o Brasil vulnerável aos olhos do mercado financeiro internacional. O Brasil, apesar de suas vantagens, ainda tem um déficit em conta corrente elevado. Investidores começam a fazer associação com a Tailândia. No meu entender, essa análise é superficial e precipitada, mas a associação é inegável.
Leme, doutor em economia pela Universidade de Chicago e com uma passagem de nove anos pelo FMI (Fundo Monetário Internacional), é uma das principais estrelas do grupo de consultores brasileiros que trabalha em bancos de investimentos em Nova York. Esses consultores, segundo estimativas de mercado, ganham US$ 1 milhão por ano para traçar cenários econômicos e avaliar riscos para investidores cada vez mais interessados no Brasil.
Em entrevista durante uma de suas oito visitas anuais ao país, na semana passada, Leme falou sobre as implicações da crise asiática para o Brasil. A seguir, os principais trechos:
Agência Folha


