Real: baixa na inflação e no poder aquisitivo
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segunda-feira, 24 de julho de 2006
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
O Plano Real completou 12 anos neste mês. Acostumados aos índices de hiperinfalção, o brasileiro pode acompanhar a queda da inflação que, durante este período, se manteve em níveis estáveis. Isso trouxe mais facilidades à população e aos empresários que tiveram a oportunidade de planejar suas contas. Se esse foi o lado positivo da nova moeda, o Real também manteve os juros reais altos - o que contribuiu para o achatamento da classe média -, as taxas de desemprego subiram e o Produto Interno Bruto do País ficou em patamares baixos.
Na implantação do Plano Real os preços foram nivelados pela Unidade Referência de Valor (URV) e foi instalada a paridade cambial, ou seja, R$ 1 ficou equivalente a US$ 1. No entanto, a inflação interna saiu do patamar zero e, nos últimos 12 anos, acumulou em 225,25%. O índice é uma média entre três indicadores de preços: IPCA, IGP-DI e IGP-M. Por isso, para voltar à mesma condição de julho de 94, o dólar atualmente deveria estar cotado a R$ 3,25. ''Na primeira semana desse mês a cotação do dólar estava em R$ 2,18 e, portanto, há uma defasagem cambial de 33%'', argumenta o economista Ismael Mologni.
Segundo ele, a inflação representa aumento do custo de produção mas com o câmbio nos atuais patamares, o exportador não consegue repassar no preço de venda o custo em dólar a não ser quando o preço internacional for maior ou igual à defasagem verificada. Já para o importador representa uma vantagem porque fica mais barato importar do que produzir internamente. ''O câmbio baixo e os juros altos fazem as importações aumentarem e isso gera desemprego porque fica mais barato comprar produtos importados do que produzir aqui'', explica o economista.
No entanto, os juros altos servem para segurar as reservas internacionais. Essa prática mantém o câmbio baixo que, por sua vez, segura a inflação. ''Na verdade, juros baixos favoreceriam uma fuga de capitais devido à falta de credibilidade do governo brasileiro no exterior. Mas o maior problema é que o Tesouro Nacional gasta mais de R$ 82 bilhões para pagar juros que são retirados dos impostos pagos pelos contribuintes'', explica Mologni. Esse dinheiro deveria ser investido em obras de infra-estrutura como melhorias em estradas, portos e também na saúde, educação, saneamento entre outros serviços essenciais à população.
Desta forma, se a atual política econômica persistir, na avaliação do economista haverá duas saídas para o País: a moratória ou um novo empréstimo do Fundo Monetário Internacional (FMI). ''Em 98 foi pedido um empréstimo ao FMI de R$ 40 bilhões; o País usou R$ 25 bilhões e, agora, o governo Lula devolveu R$ 15 bilhões ao fundo. Mas do jeito que está a saída será pedir outro empréstimo'', argumenta.


