Reajustes seriam motivados pelo aumento dos insumos
Os prestadores de serviços começaram a remarcar preços para se defender dos aumentos dos aluguéis, da alta dos insumos utilizados e também dos salários que pagam a seus funcionários. ''A inflação em alta atiça a disputa por renda. Ninguém quer perder a sua fatia no bolo'', afirma o sócio da RC Consultores, Fábio Silveira.
O sapateiro Eduardo Cortez é um exemplo dessa corrida para escapar da inflação de custos que ganha respaldo no aumento da renda do consumidor. Por enquanto, ele subiu o preço apenas da troca de sola, de R$ 50 para R$ 60. ''Eu precisava mexer nos preços de outros serviços também. A troca do saltinho pequeno, que hoje sai R$ 7, precisaria ir para R$ 8'', diz ele. Entre os fatores apontados pelo sapateiro para reajustar os serviços estão a alta dos preços dos materiais que utiliza, como o solado de borracha, a cola e o couro. ''Antes, o puxador de zíper saía de graça, hoje fornecedor cobra. ''
Além da alta dos preços dos materiais usados no conserto de sapatos, malas e bolsas, e o reajuste dos salários dos funcionários, o aluguel do salão instalado numa rua de grande movimento na zona oeste da cidade, pesa muito nos custos. ''Eu pagava R$ 1,2 mil e agora foi reajustado para R$ 1,5 mil, com os impostos incluídos.''
Na ponta do lápis, as despesas do sapateiro com locação subiram 25% e ele aumentou um pouco menos, em 20%, o preço da troca do solado. Segundo Cortez, o movimento não diminuiu por causa do reajuste. O que impede o sapateiro de aumentar todos os preços é a forte concorrência das demais sapatarias da região.
A disputa entre custos e preços se repete no caso de outros serviços. A rede Soho de cabeleireiros reajustou em 8% seus preços a partir deste mês. Ernesto Paulelli Neto, sócio de um dos salões, conta que o preço do corte de cabelo, que variava entre R$ 35 e R$ 50, agora oscila entre R$ 38 e R$ 54. ''Todos os nossos custos subiram. Não dava para ficar sem aumentos, porque a nossa margem é pequena.'' Ele observa que os aumentos dos materiais usados no salão são os principais fatores que levaram ao reajuste.
No caso da alta dos reparos no domicílio, que incluem serviços de pedreiro, encanador, o empreiteiro Zeilton Santos Pinho atribui os reajustes ao aumento da mão-de-obra. ''Hoje não consigo um ajudante pagando uma diária de R$ 30. Com esse dinheiro não é possível comprar nada no supermercado'', diz ele, que paga agora R$ 50 pela dia trabalhado. (M.C.)





