Reajustes salariais ainda repõem inflação
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quinta-feira, 04 de setembro de 2008
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba - No primeiro semestre deste ano, 86% de um total de 309 negociações de reajustes salariais realizadas no País conseguiram assegurar, no mínimo, a recomposição da inflação acumulada em cada data-base, de acordo com o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor). O resultado foi mais tímido que nos primeiros seis meses de 2007, quando 96,6% das negociações obtiveram a reposição da inflação. O resultado de 2008, também fica abaixo de 2006, quando o percentual atingiu 96,5%. Isso significa que a reposição da inflação nos salários em 2008 é a menor em três anos.
O supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Cid Cordeiro, disse que os principais fatores que influenciaram neste resultado de 2008 foram o aumento da inflação e a pressão de custos maior nas empresas. Em 2006, a média de inflação dos últimos 12 meses registrada no final do primeiro semestre foi de 4,13%. No mesmo período de 2007 foi de 3,20% e em 2008 de 5,67%. Mesmo com o percentual menor, Cordeiro considerou que o resultado reflete o ''bom momento das negociações'' salariais.
Ele destacou que o segundo semestre concentra negociações de categorias numerosas como metalúrgicos, bancários, petroleiros e eletricitários. Por este motivo, Cordeiro acredita que o percentual de aumento real obtido pelos trabalhadores no segundo semestre de 2008 pode ser maior que nos primeiros seis meses do ano mas, não superior que o segundo semestre de 2007. De julho a dezembro de 2007, 89% conseguiram reajustes acima da inflação, o que não deve se repetir no mesmo patamar no mesmo período de 2008.
O Dieese apurou também que 73,5% das negociações de reajustes ficaram acima da inflação, ou seja, trouxeram aumento real de salário para os trabalhadores no primeiro semestre. O percentual também é inferior ao mesmo período do ano passado quando atingiu 87,1%.
Cerca de 12,3% das negociações garantiram o INPC. No entanto, em 14,2% das negociações, os trabalhadores ficaram com reajustes abaixo da inflação. No ano passado, este percentual era bem menor, apenas 3,4% das negociações ficaram abaixo do INPC. O Dieese apurou ainda que 60% dos reajustes que fecharam abaixo da inflação foram até 0,5% inferiores ao INPC e quase 90% até 1%. ''Em um cenário de inflação mais alta, a negociação fica mais difícil'', disse Cordeiro.
Ele destacou que no primeiro trimestre de 2008 um número maior de acordos conseguiu aumento real. A partir de abril, com o aumento dos juros realizado pelo Banco Central, as empresas começaram a reduzir o volume de reajustes com aumento real nos salários.
O levantamento mostrou que 10% dos acordos tiveram escalonamento de reajustes, ou seja, os aumentos foram diferentes para cada setor dentro de uma mesma empresa. Cerca de 6% das negociações tiveram abono salarial e 1% teve parcelamento de reajuste salarial.
A pesquisa apontou também que as negociações do setor industrial apresentaram o maior índice de acordos superiores a inflação, registrando 81,3%. O comércio aparece logo atrás com 80% das negociações ficando acima dos aumentos de preços. Porém, a média caiu com o setor de serviços, que no primeiro semestre teve 64% dos acordos com reposição da inflação.
As negociações entre empresas e trabalhadores das regiões Sul e Centro-Oeste apresentaram 85,7% e 84,6%, respectivamente, de reajustes acima da inflação, enquanto essa taxa ficou em 69,7% na região Nordeste, 68,3% na Sudeste e 62,5% na região Norte.


