Reajustes pressionam preços dos produtos
PUBLICAÇÃO
sábado, 19 de março de 2011
Márcia De Chiara <br> Agência Estado 
São Paulo - Fabricantes de eletrodomésticos, eletroportáteis, veículos e máquinas chegam ao fim do primeiro trimestre do ano numa encruzilhada. De um lado, enfrentam fortes aumentos de custos, que vão do reajuste de salários dos trabalhadores acima da inflação à elevação dos preços das matérias-primas de até 20%. De outro, continuam pressionadas pela concorrência dos importados.
O resultado desse jogo de forças é que as indústrias não conseguem repassar integralmente o aumento de custos para os preços ao consumidor. Isso põe um pouco de água na fervura da inflação. Mas essa contingência também reduz a competitividade e a rentabilidade da indústria.
''Desde 2008, antes da crise, não tínhamos tantos aumentos de custos simultaneamente'', observa um empresário da indústria que não quer ser identificado. Um dos vilões de aumentos de custos são as resinas plásticas, usadas em eletrodomésticos e veículos. O preço da matéria-prima subiu 20% este mês.
Na lista de aumentos de custos também estão o aço e alumínio, com 10%; o cobre, que subiu 25% desde outubro de 2010; os pneus, que serão reajustados em 10% em abril; e as embalagens de papelão ondulado, com aumentos de preços entre 6% e 7% previstos para abril ou maio.
Os empresários perdem o sono com os reajustes porque não têm como driblá-los. Exceto os salários dos trabalhadores, os demais preços são formados no mercado externo. E, para complicar, há matérias-primas concentradas em poucos fabricantes.


