Brasília – Os recentes reajustes dados pelo governo a servidores dos três poderes aumentarão a folha de pagamentos da União em 8,2% até 2018, segundo o ministro interino do Planejamento, Dyogo Oliveira. Dyogo afirmou que, neste período, os reajustes consumirão R$ 68,7 bilhões -o valor atualizado e anunciado ontem é R$ 1 bilhão a mais do que o governo previa. O impacto para este ano é de R$ 6 bilhões.
"Esse é um valor que, diante do histórico de reajustes que tivemos, tem um impacto aceitável dentro do programa de ajuste fiscal", disse o ministro.
Os números foram levados por Dyogo à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado para convencer os parlamentares a aprovar os reajustes.
Na semana passada, o Senado havia aprovado o reajuste para os servidores do Judiciário e do Ministério Público. O impacto, segundo o ministro, é de R$ 1,7 bilhão neste ano. Até o momento, o governo encaminhou ao Congresso o reajuste de 16 categorias, mas os parlamentares esperam outros 19 projetos prevendo aumentos salariais. Entre eles, a elevação do teto dos vencimentos dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).
O ministro argumentou que os aumentos não devem elevar o percentual da folha de pagamentos sobre o total de gastos do governo federal. "Em 2009, tínhamos [gastos com a folha de] 4,7% do PIB. Esse percentual chegou a 4,1% em 2015 e se manterá entre 4,1% e 4,2% até 2018. Quando se olha para trás, vemos até uma queda", disse.

Temer
O presidente em exercício, Michel Temer, ainda faria mais uma reunião ontem à noite com membros da equipe econômica para fechar o número da meta fiscal de 2017, que deve ser anunciado apenas hoje. A intenção de Temer era definir a nova meta fiscal na última terça-feira, mas não houve consenso na equipe. Enquanto a área econômica defende um deficit de R$ 150 bilhões, há na área política quem defenda, a exemplo do ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, a repetição da meta deste ano, de rombo de R$ 170,5 bilhões, que ainda assim já imporia aperto adicional de gastos. Meirelles negou a divergência.

O governo quer enviar a proposta a tempo de votação no Congresso Nacional antes do prazo legal de 17 de julho para que os parlamentares entrem em recesso. Pelas regras, o Congresso não pode entrar em recesso sem a aprovação da Lei de Diretrizes Orçamentárias.

CRÍTICAS
Senadores da oposição reagiram à apresentação. Segundo Katia Abreu (PMDB-TO), o custo real dos reajustes até 2019 é de R$ 150 bilhões. "É tanto dinheiro que se tivéssemos que fazer tudo o que precisamos em infraestrutura, gastaríamos R$ 500 bilhões. Agora, três 'graças' [reajuste de servidores, aumento do teto para ministros do Supremo e renegociação da dívida dos Estados] vão consumir um terço do que precisamos", afirmou.
"O problema não é o Bolsa Família, o reajuste do servidor, o gasto com saúde e educação. Mas, sim, o serviço da dívida, o que é gasto com juros. Esse governo mandou uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) com limite de gastos, quero que tenha um limite de gastos com juros", afirmou a presidente da CAE, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR).

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