Os quatro primeiros anos do Plano Real foram os melhores da década de 90. Nessa fase, os reajustes do salário mínimo superaram a inflação e o número de empregos também cresceu. Infelizmente, o modelo econômico em vigor tornou o País mais vulnerável às crises externas que ocorreram a partir de 1998. O resultado foi aumento da dívida interna brasileira, déficit na balança comercial devido à variação do câmbio, retomada da inflação e a elevação da taxa básica de juros.
De acordo com Cid Cordeiro, o fim da inflação galopante que chegou a 50% ao mês colocou à mostra os reais problemas econômicos e proporcionou a melhora nos índices sociais do Brasil. Em contrapartida, faltou, nessa época, uma política que privilegiasse também o crescimento econômico através da redução da dívida interna, cotada em dólar, e do superávit na balança comercial. ''A solução seria uma redução maior na taxa de juros. No entanto, acreditava-se que isso poderia aumentar a inflação além do permitido pelos acordos com o Fundo Monetário Internacional (FMI)'', explicou o técnico do Dieese.
Embora o governo afirme que está fazendo o possível para reverter essa situação, a inflação deste ano superou as expectativas e o Produto Interno Bruto (PIB), que era estimado em 1%, ficou próximo de 0%. Para 2004, a perspectiva é que a inflação não passe dos 6% e o PIB fique entre 3,5% e 4%.

mockup