Reajuste no preço de medicamentos é um dos menores em 12 anos
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domingo, 01 de abril de 2018
Mie Francine Chiba<br>Reportagem Local 

O governo federal autorizou reajuste de até 2,84% no preço dos remédios para 2018, um dos menores dos últimos 12 anos. O reajuste entrou em vigor no sábado (31). São três níveis de correção, aplicados conforme a concorrência de mercado do medicamento: 2,09%, 2,47% e 2,84%. O menor índice é aplicado aos medicamentos com menos concorrência, e o maior, igual ao IPCA, aos medicamentos com mercado mais concorrencial, como genéricos e similares. Os índices estão abaixo da inflação de 2017, que foi de 2,95%.
Segundo a Interfarma (Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa), o baixo reajuste é resultado da inflação baixa. Além da inflação oficial, apontada pelo IPCA (Índice de Preço ao Consumidor Amplo), a fórmula para a correção de preços dos medicamentos considera fatores como produtividade da indústria farmacêutica, concorrência de mercado, câmbio e energia elétrica, esclarece a entidade.
"Essa é uma correção de preços que fica abaixo da inflação. O país acumula 117% de inflação desde 2005, enquanto os medicamentos tiveram 82% de reajuste no período. São 35 pontos percentuais de diferença", declarou Antônio Britto, presidente-executivo da Interfarma, em nota da assessoria de imprensa da Associação.
O reajuste esteve abaixo de 3% apenas três vezes nos últimos 12 anos, observou a entidade: em 2007 (média de 1,49%), em 2012 (média de 2,81%) e em 2017 (média de 2,63%). O índice esteve acima da inflação somente em 2016, quando chegou ao seu maior patamar (12,5%), devido à alta do dólar e da energia elétrica.
Britto, da Interfarma, explica que o governo estabelece um valor máximo para o preço dos medicamentos, mas o mercado é livre para a prática de descontos, que podem chegar a 60%. De acordo com a Associação, embora o reajuste tenha data marcada ocorre apenas uma vez no ano -, a efetiva mudança de preços nas farmácias pode se dar gradualmente, pois os distribuidores e o varejo costumam aumentar os seus estoques para manterem o preço antigo por mais algumas semanas.
Para Rubens Augusto, proprietário da rede de farmácias Vale Verde e diretor do Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos de Londrina (Sinfarlon), o reajuste dos medicamentos teria pelo menos de equiparar à inflação, pois o aumento dos custos operacionais dos estabelecimentos costumam ser maiores que isso. Além disso, as vendas não crescem há pelo menos três anos. Porém, o empresário considera o aumento "justo", ao considerar que a população não tem condições de arcar com a elevação de preços. "Não adianta aumentar muito senão a população não tem dinheiro para comprar. Estamos bastante conscientes que nesse momento não tem como reajustar muito."

DESPESA FIXA
A pensionista Maria do Socorro Santos diz ter dificuldades em comprar os oito medicamentos para tratar problemas de saúde como diabetes, pressão alta e os efeitos de um AVC (Acidente Vascular Cerebral), já que seu benefício está suspenso e ela depende apenas da aposentadoria do marido. "(Os medicamentos) Pesam muito no orçamento. Só uma caixinha de remédio com 14 comprimidos custa R$ 128."
A funcionária pública Isabel Serrano gasta cerca de R$ 250 ao mês com remédios para reposição hormonal, problemas de tireoide e artrose. Mesmo ganhando mais que o salário mínimo, ela diz ter dificuldades em arcar com a despesa. "Se eu ganhasse só o salário mínimo, não teria como pagar. É uma despesa que não tem como deixar de ter, é uma despesa fixa, uma manutenção da saúde."


