O desconto do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para móveis e eletrodomésticos da linha branca ficou um pouco maior desde ontem, mas há expectativa no comércio de que parte do aumento seja absorvido pelo comércio para estimular as vendas. A mudança estava prevista para ocorrer integralmente em 31 de outubro, mas o governo federal anunciou na última sexta-feira que anteciparia o prazo para escalonar a diferença. As alíquotas valem até 31 de dezembro, ainda que representantes do setor tenham a expectativa de manutenção das taxas nos níveis atuais no ano que vem.
As geladeiras tiveram a maior recomposição do IPI, que passou de 8,5% para 10%. Nos outros casos, o percentual variou entre 0,5% e 1% para fogões, tanquinhos, móveis e painéis de madeira. No caso das máquinas de lavar, já havia uma definição prévia de que a taxa ficará em 10%, a metade do valor original (leia mais em quadro nesta página). O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland, afirmou que a recomposição foi possível pelo desempenho da economia. Na semana passada, ao anunciar a recomposição dos preços, ele considerou que as vendas e o nível de utilização da capacidade instalada da indústria têm sido positivos.
Para o diretor da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Ary Sudam, o ideal seria que o imposto fosse mínimo "para sempre". "Mas, já que tem de fazer uma correção, pelo menos que não seja de uma vez", disse. Ele espera que os comerciantes possam absorver mesmo que parte da diferença, para manter as vendas em alta no fim do ano. "O valor é pouco significativo em alguns produtos e, mesmo que tiver diferença no preço, nem vai dar para perceber."
O empresário Marcelo Ontivero, do Móveis Brasília, afirmou que não haverá impacto no custo do produto. Ele acredita que a medida estimulará o consumo, o que vai ajudar a economia brasileira. Ainda, disse que acredita que as alíquotas de IPI serão mantidas em 2014. "Representantes das indústrias nos passaram que vai continuar assim, sem voltar ao patamar anterior."
Mesmo com essa expectativa, o gerente Valdecir Paschoal, de loja da mesma marca, afirmou que é certo que os preços seguirão os mesmos até acabarem os estoques. Porém, ele espera um aumento no movimento nos próximos dias. "De imediato já vai ser bom porque algumas pessoas vão antecipar as compras de fim de ano."
É o caso da empregada doméstica Denirce Faganholi. "Minha patroa me avisou que iria aumentar (o IPI) e saí para procurar um tanquinho, porque estou precisando", disse. Em busca de uma cômoda, a zeladora Teresinha Antônia Barbosa foi pega de surpresa pela notícia do reajuste do imposto, mas pretendia aproveitar para comprar o móvel. "Não sabia desse aumento e vim porque preciso. Quero pegar um preço bom."

Fim de ano
A expectativa no comércio de Londrina ainda é boa para o fim de ano, com a chegada do 13º salário, do Natal e das férias. O diretor da Acil estima vendas melhores do que no mesmo período do ano passado. "Os últimos dados que recebi mostram que o cenário econômico, que não deixa de ser preocupante, parou de piorar. Então, acredito que há espaço para crescimento", disse Sudam. Ontivero destacou ainda a vantagem de Londrina ser um polo regional. "Ainda receberemos muitos clientes de cidades da região." (Com Agência Brasil)

Imagem ilustrativa da imagem Reajuste menor do IPI ajuda comércio a absorver diferença
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