Reajuste e insumo pressionam preço do carro
São Paulo - As constantes altas das matérias-primas utilizadas na fabricação de veículos e o reajuste salarial dos metalúrgicos pressionam o preço dos carros e devem levar os fabricantes a novos reajustes até o fim do ano. De acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), os preços aumentaram 11% entre janeiro e julho deste ano.
Os metalúrgicos do ABC filiados à Central Única dos Trabalhadores (CUT) fecharam com as montadoras, neste fim de semana, um acordo que prevê reajuste de 10% (INPC de 11 meses acrescido de aumento real) para quem ganha até R$ 6 mil e um aumento fixo de R$ 600 para os trabalhadores com salário acima de R$ 6 mil. No ano passado, o reajuste foi de apenas 2%. ''Foi uma negociação madura e profissional'', declarou hoje, em São Paulo, o presidente da Anfavea, Rogélio Golfarb.
O executivo admitiu que os salários se somam à forte pressão de custos que afeta a indústria. Golfarb afirmou que o aumento de preços faz parte da política de cada montadora, mas observou que o setor tem repassado para os carros apenas uma pequena parte da elevação de custos.
O preço do aço aumentou 30% de janeiro a junho deste ano e houve 13% de reajuste em agosto (total de 43% de elevação). O preço dos metais não-ferrosos subiu 23% no primeiro semestre, de acordo com a Anfavea. A borracha aumentou 6% no primeiro semestre; e os plásticos, 26%. ''Mas o aumento de preços dos veículos não acompanhou de maneira nenhuma estes reajustes'', disse Golfarb. De acordo com ele, os aumentos diminuem a margem de lucro das empresas e também dificultam as negociações dos acordos de exportação.
A avaliação da Anfavea é de que as vendas no mercado interno continuam mornas e, por isso, as montadoras devem hesitar em repassar custos aos preços. No acumulado do ano até agosto, foram licenciados 987 mil veículos, 14,3% mais do que em igual em período de 2003. Para chegar ao fim do ano com a meta de 1,55 milhão de veículos vendidos no mercado interno, as empresas terão de comercializar 138 mil unidades por mês nos próximos quatro meses, uma média considerada alta.
Segundo Golfarb, o setor não vai lutar por uma queda emergencial do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ocorreu no passado, ou por medidas de curto prazo. ''Não queremos acordos emergenciais'', frisou o executivo. (R.S./AE)





