Imagem ilustrativa da imagem Reajuste dos remédios e gasolina pressionam a inflação em abril
| Foto: Agência Brasil

A gasolina e os remédios foram os vilões da inflação de abril, de acordo com o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), calculado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Os preços dos alimentos também pesaram, mas em magnitude inferior ao peso visto na leitura de março do indicador. O IPCA de abril ficou em 0,57%, com 0,18 ponto percentual abaixo da taxa de março (0,75%) em março.

Quando se analisa o índice de dispersão dos preços, percebe-se que o IPCA foi puxado por três ou quatro itens específicos, como a alta da gasolina, o reajuste dos medicamentos e a alta de alguns produtos alimentícios. Segundo o economista Márcio Massaro, diretor do curso de Administração da Faccar (Faculdade Paranaense), desde novembro do ano passado, o índice vem apresentando subida sistemática. “Quando você pega a projeção do Boletim Focus, maio representa o ponto mais alto do cume. Isso leva a crer que daqui para frente a inflação seja decrescente”, disse.

Mas, para o economista, a alta destes itens não tem uma explicação física palpável. Na avaliação dele, há o componente político pressionando essa alta. “O governo parece que ainda não se acertou. Essa série de incertezas refletem economicamente. O mercado assiste os embates do governo na Câmara de forma muito sensível. Se for caçar uma resposta física, não temos demanda reprimida e o mercado está em recessão, então, deve ter o componente político por trás”, conjectura.

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| Foto: Folha Arte

Ao analisar os dados por grupos, o de saúde e cuidados pessoais teve o maior impacto de alta, contribuindo com 0,18 ponto porcentual (p.p.) após avançar 1,51% no IPCA de abril. O destaque foi o grupamento "remédios" (2,25%), refletindo o reajuste anual, em vigor desde 31 de março, com teto de 4,33%, segundo o IBGE.Segundo Fernando Gonçalves, da gerência de SNIPC (Sistema Nacional de Índices de Preços ) do IBGE, os remédios tiveram o terceiro maior impacto individual no IPCA de abril. O primeiro impacto individual ficou com a gasolina, que avançou 2,66% em abril. Com isso, o grupo transportes subiu 0,94% no IPCA de abril, com impacto de alta de 0,17 ponto porcentual. Apesar disso, houve desaceleração ante março, quando o grupo subiu 1,44%.

O grupo alimentação e bebidas contribuiu com 0,16 ponto porcentual no IPCA de abril, ao subir 0,63%. O IBGE destacou as quedas de preços no feijão carioca (-9,09%) e nas frutas (-0,71%). Mas houve pressão do ainda houve pressão do tomate (28,64%), do frango inteiro (3,32%), da cebola (8,62%) e das carnes (0,46%).

“Percebemos alta de 13% na inflação da cesta básica de janeiro até 30 de abril. Além do tomate, outros produtos hortifruti, carne bovina e leite estão puxando a elevação”, comentou o economista Marcos Rambalducci, professor da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná) e colunista da FOLHA. Segundo ele, o estresse hídrico que a região está passando levou a escassez da produção de leite, provocando alta, só em abril, de 11% no preço do litro. “Essa inflação é de custo e não de demanda. Os custos estão elevados e não tem ninguém comprando”, avalia Rambalducci.

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