Reajuste do mínimo traz pouco impacto à economia
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quinta-feira, 26 de janeiro de 2006
Fernanda Mazzini<br> Reportagem Local 
O reajuste do salário mínimo de R$ 300 para R$ 350, anunciado pelo governo federal, traz pouco impacto para a economia nacional. Estudos indicam que o aumento de R$ 50, a partir de abril, deve injetar cerca de R$ 1.250 bilhão no mercado. Segundo Francisco Simões, presidente do Sindicato dos Economistas de Londrina, essa cifra representa entre 2% e 3% do total de dinheiro que circula na economia. ''Esse aumento é uma piada, vai melhorar bem pouco o nível de consumo dos trabalhadores'', resume.
Simões afirma que o salário mínimo deveria ser de, no mínimo, R$ 1 mil. ''É o valor com que uma família de quatro pessoas poderia sobreviver, sem folga'', comenta. Ele informa que levantamentos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Fundação Getúlio Vargas (FGV) indicam que o pagamento do aluguel deve ser de, no máximo, 25% da renda bruta de uma família. Ainda, há as contas dos serviços básicos - água, energia elétrica e telefone -, supermercado e remédios. ''Por isso há roubos e assaltos. Os trabalhadores têm que arrumar sub-empregos para vegetar, não para viver'', avalia.
Além disso, o economista diz grande parte dos profissionais têm renda superior a R$ 350, devido às negociações de Convenção Coletiva entre os sindicatos dos empregados e os patronais. Segundo ele, esse aumento atinge, principalmente, os cerca de 13,5 milhões de aposentados da Previdência Social que recebem o salário mínimo. ''Um aumento de R$ 50 para essa população vai representar um consumo maior de comida ou de remédio, não será feito nenhum investimento'', diz.
Na avaliação dele, o aumento de 16,67% do salário mínimo levará as outras categorias de trabalhadores a reinvidicar um reajuste semelhante. ''E isso pode fazer com que aumentem os preços dos produtos porque as empresas repassam todos os seus custos aos consumidores'', observa Simões. No entanto, ele ressalva que nenhuma empresa pública consegue imbutir no seu preço final todos os seus custos. ''O que mais pesa são as tarifas públicas, que subiram uma exorbitância'', salienta.
Rombo - O pouco aumento de R$ 50 para os consumidores ainda vai refletir em um rombo que varia de R$ 750 milhões a R$ 800 milhões aos cofres públicos. Isso porque, conforme Simões, a Previdência já trabalha com um déficit de R$ 52 bilhões. ''E isso ocorre devido a problemas administrativos, aos roubos e à falta de seriedade com o patrimônio público, que tem que ser administrado com mais transparência'', avalia.


