Reajuste do mínimo será a bandeira da CUT
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segunda-feira, 08 de fevereiro de 1999
Agência Estado 
O aumento do salário-mínimo é a mais nova bandeira da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Ao saber que o governo estuda a redução do reajuste do mínimo este ano, o presidente da CUT, Vicente Paulo da Silva, disse que essa deverá ser uma prioridade da Frente Nacional de Luta pela Terra, Trabalho e Cidadania, reunindo entidades e sindicatos, que se reúne hoje.
O salário-mínimo não estava na nossa agenda, afirmou Vicentinho. Diante da ameaça de que o governo não reajuste o salário no próximo dia 1º de maio, faz com que o mínimo entre na pauta. A Frente Nacional, que terá hoje sua primeira reunião deste ano, quer mobilizar a sociedade contra a política econômica do governo e em defesa do emprego, da reforma agrária e da cidadania.
De acordo com Vicentinho, o presidente Fernando Henrique mentiu, uma vez, ao prometer que dobraria o mínimo. Só que excluiu a inflação do cálculo. Agora, o governo ameaça não reajustar, disse. Em seu programa de candidato, o presidente prometeu dobrar o valor do mínimo nos quatro anos de seu mandato, o que forçou a equipe econômica a reajustar o mínimo em 8,3% em 1998. O salário chegou a R$ 130. No programa para o segundo mandato, não há promessa ou meta para o salário-mínimo.
Ao conter a correção do mínimo, para atingir a meta fiscal estabelecida no acordo com o FMI, o governo estará dando um argumento forte para os partidos de oposição contra a política econômica. É um prato amargo que está sendo oferecido já que prejudica todo mundo. A oposição tem de se mobilizar independente disso, afirmou o sindicalista.
Diante do novo acordo do País com a FMI, a CUT reviu sua previsões econômicas para 1999. Nos próximos seis meses, o índice nacional de desempregado, apurado pelo IBGE, deve chegar a 13% da mão-de-obra. Hoje, está em 7%. No município de São Paulo, deve chegar a 25%, contra os 19% atuais. A recessão deverá ser de 4% do PIB e a inflação, segundo a central, ultrapassará 10% em 1999.


