Reajuste do mínimo dá para comprar 4 quilos a mais de carne por mês
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quinta-feira, 20 de fevereiro de 1997
Carmem Murara Sucursal de Curitiba 
Arquivo FolhaAna Maria Cruz, da CUT/PR: valor minguadoe ridículoOs trabalhadores que tentam sobreviver com o salário mínimo de R$ 112,00 não vão ter muito o que comemorar no dia 1º de maio, quando deve entrar em vigor o salário reajustado. O governo federal tem divulgado informações de que o aumento não deve ultrapassar o índice de 9%. Se o percentual for confirmado, o reajuste representará um incremento de R$ 10,00 sobre o salário mensal.
Com o aumento no bolso, as pessoas que vivem do mínimo poderão comprar dez frangos ou, então, se preferirem poderão gastar o dinheiro comprando cinco cervejas a mais em um bar ou restaurante.
Os R$ 10 permitirão ao assalariado comprar três pães ou meio litro a mais de leite por dia durante o mês. É possível ainda aumentar em quatro quilos a quantidade de carne consumida no mês. Hoje, um quilo de coxão mole pode ser comprado por R$ 2,50.
Se o trabalhador optar por gastar o dinheiro com diversão, o reajuste do mínimo não vai dar para muita coisa. Uma entrada no cinema, uma das opções mais baratas de entretenimento, custa R$ 8,00 na maioria das salas curitibanas.
Segundo o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio Econômicos (Dieese), o salário mínimo precisaria ser de R$ 776,09 para atender a todos os itens básicos de vida como alimentação, saúde, vestuário, transporte e lazer.
Mas com R$ 112,00, o trabalhador consegue apenas atender o quesito alimentação. A cesta básica consumiu R$ 101,86 do mínimo no mês de janeiro. Com isso, sobraram R$ 10 para todas as outras necessidades previstas pelo Ministério da Saúde.
Dados apresentados pelo economista Daniel Passos, do Dieese, mostram que cerca de 29% dos trabalhadores viviam com um salário mínimo, em 1985, sendo que a Região Nordeste tinha uma média de 44% dos trabalhadores com o mínimo. Em 90, a situação melhorou um pouco. A média nacional passou para 21,6%.
Passos prefere não criticar o reajuste de 9% no salário mínimo, dizendo que ele reflete a estabilidade do período pós Real. O governo está apenas repassando a inflação do ano, diz o economista. Ele afirma que hoje as pessoas não percebem que qualquer reajuste pode representar um ganho real.
A presidenta da Central Única dos Trabalhadores no Paraná, Ana Maria Cruz, é mais crítica em relação ao reajuste do mínimo. É um valor minguado e ridículo. O pior é saber que tem muito trabalhador que sequer ganha o mínimo, diz Ana Maria.
Segundo a sindicalista, a maioria das categorias profissionais não se baseia mais no salário mínimo para conceder reajustes salariais, preferindo optar pela negociação através do piso estabelecido em casa uma das profissões. Ela acredita que na prática a tendência é desaparecer o salário mínimo.


