Reajuste de tarifas, o próximo vilão
PUBLICAÇÃO
sábado, 28 de junho de 2008
Márcia De Chiara<br>Agência Estado 
São Paulo - Os preços administrados deixarão de contribuir positivamente para segurar a inflação neste ano por causa da disparada dos Índices Gerais de Preços (IGPs), que são parâmetros de aumentos de várias tarifas. O IGP-M, por exemplo, subiu em 12 meses, até maio, 13,44% e a perspectiva é de que continue em trajetória ascendente nos próximos meses, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Nas contas da economista da Tendências Consultoria Integrada Marcela Prada, os preços administrados devem aumentar 4,6% este ano e 4,9% no ano que vem no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Em 12 meses até maio deste ano, os preços administrados subiram 1,5%, quase a mesma variação registrada no ano passado inteiro, que foi de 1,65%. Para o IPCA deste ano, a consultoria prevê elevação de 6,2% ou mais.
O momento é arriscado, o nível de indexação da economia é o mesmo, mas a inflação está aumentando, diz a economista. Ela destaca que, além da inflação dos alimentos, que é base da disparada de preços, os reajustes das tarifas levam a uma piora no quadro. O reajuste da passagem de ônibus e do diesel virá mais para o fim do ano.
Análise semelhante sobre a pressão dos preços administrados é feita pelo coordenador de Análises Econômicas da FGV, Salomão Quadros. Em 12 meses até junho deste ano, os preços administrados subiram 1,41%, ante elevação de 2,45% registrada em 12 meses até dezembro do ano passado. O recuo é de 1,04 ponto porcentual. Os números foram calculados a partir do Índice de Preços ao Consumidor-Mercado (IPC-M).
Os preços administrados ainda estão dando uma colher de chá, mas vão começar a se acelerar a partir do segundo semestre, coisa que estamos desacostumados, diz Quadros.
Ele lembra que o preço da energia elétrica teve queda no ano passado por causa da revisão tarifária e, neste ano, não deve se repetir essa tendência. Outro exemplo de pressão altista de tarifa deve ocorrer na telefonia fixa. No ano passado, diz ele, com a mudança de pulso para minuto, houve queda na conta de telefone. Este ano não terá esse efeito de queda.
Quadros mostra com números do IPC-M que os preços dos serviços livres já exibem uma elevação.
Em 12 meses até junho, eles subiram 5,52%, ante elevação de 4,43% em 12 meses encerrados em dezembro do ano passado. Os serviços livres incluem alimentação fora de casa, serviços na residência, serviços médicos, recreação, educação e transporte. Todas as classes de serviços livres tiveram elevação nesse período, observa o coordenador.


