Reajuste da mão-de-obra pesa no INCC
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 09 de junho de 2004
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O reajuste da mão-de-obra da construção civil está sendo o vilão dos reajustes do setor em todo o País. O Índice Nacional da Construção Civil (INCC), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em convênio com a Caixa Econômica Federal, apresentou alta de 1,43% em maio, considerado o maior do ano. Pesou nesse índice o reajuste dos trabalhadores do setor de vários Estados, entre eles, de São Paulo, que puxam a média nacional para cima.
No Paraná, onde o índice medido pelo IBGE foi 0,45%, praticamente um terço da média nacional, o dissídio coletivo está sendo esperado para este mês. Portanto o reflexo desse reajuste deverá ser sentido apenas a partir de agosto, informou o Sindicato da Construção Civil (Sinduscon) do Paraná. A variação registrada em maio reflete basicamente o aumento de parte dos materiais de construção.
No País, o índice nacional da construção civil já acumula elevação de 4,17% este ano e de 10,55% nos últimos 12 meses. Na composição dos custos, são necessários R$ 476,69 para construção de um metro cúbico de obra. No Paraná, a variação anual do índice acumula alta de 2,12% e nos últimos 12 meses, 9,52%. O acompanhamento do IBGE indica que são necessários R$ 485,07 para construção de um metro cúbico de obra no Estado.
O Sinduscon do Paraná também divulgou ontem o índice Custo Unitário Básico (CUB), calculado pela entidade. O índice apresentou variação de 0,74% em maio, resultado menor do que a inflação medida pelo IGP-M (Índice Geral de Preços de Mercado), da Fundação Getúlio Vargas, que foi de 1,31%.
A alta do CUB-PR no mês de maio reflete o reajuste médio de 0,98% nos preços dos materiais de construção e de 0,54% nos custos da mão-de-obra e encargos sociais. Produtos de madeira, ferro, cerâmicas e PVC estão entre os materiais que apresentaram maiores altas de preços no mês de maio. A porta lisa de compensado subiu 7,54%, o caixilho completo de madeira, 6,35%, e a porta almofadada, 5,66%. Também tiveram aumentos de preços as dobradiças em ferro com reajustes entre 4,76% e 6,38%. O tubo de PVC rosca subiu 3,98% e o eletroduto de PVC, 3,40%.
O setor da construção civil deve enfrentar aumento de custos nos próximos meses, prevê o presidente do Sinduscon do Paraná, Ramon Andres Doria. Segundo ele, além do reajuste nos salários da construção, a alta do dólar e o reajuste da energia elétrica, em algumas regiões devem, também, influenciar os preços dos insumos da construção civil. Produtos como o aço, cobre, cimento, PVC, alumínio e tintas são influenciados pelo câmbio.
O custo médio representativo da construção habitacional para imóveis em prédio de oito pavimentos, dois quartos e padrão normal de acabamento, computados apenas materiais e mão-de-obra, passou para R$ 750,32 o metro quadrado no mês de maio.


