A indústria têxtil Steiner&Dorta, de Rolândia, parou toda sua produção. A decisão de fechar as portas foi tomada pelos proprietários após a chegada da última conta de energia elétrica, de R$ 120 mil, que a empresa não conseguiu pagar. Situações como esta fizeram a Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) divulgar ontem uma carta aberta ao governador Beto Richa cobrando medidas de alívio para o setor privado. Segundo o documento, as empresas "estão apagando as luzes porque não conseguem arcar com altos custos" gerados pelos aumentos de impostos cobrados pelo governo do Estado (leia íntegra na página 2).
"Os custos da energia chegaram a um ponto que inviabilizaram o negócio", afirma Alexandre Marcelino, gerente de Produção da Steiner&Dorta. Ele conta que, antes dos reajustes, a empresa gastava R$ 0,25 de energia para produzir cada quilo de fio de algodão. Se tivesse continuado a produção, estaria gastando agora R$ 1,20 para cada quilo. "Não consigo repassar nenhum centavo do aumento para o produto acabado porque ainda tenho de competir com os importados", afirma.
No começo do ano, a Steiner&Dorta empregava 120 pessoas. Hoje, são 60 funcionários, cujos acertos ainda não foram feitos. "A gente ainda não sabe o que vai fazer. Talvez a empresa continue aberta fazendo apenas a comercialização da matéria-prima", explica.
Somente em 2015, foram dois reajustes de energia elétrica, um na semana passada e outro em março, respectivamente de 15,6% e 40% para a indústria. Em junho do ano passado, a conta industrial já tinha sofrido aumento de 25%. Além do alto custo da energia propriamente dito, o Paraná tem uma das maiores alíquotas de Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre esta conta. São 29%. Em média, segundo a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), o aumento para o setor foi de 140% em 12 meses.
"A energia elétrica representava 11% da minha planilha de custo e hoje representa 20%. Meu maior cliente (uma montadora de caminhão) não aceitou qualquer repasse", afirma Marcus Vinícius Gimenez, da MGL Mecânica de Precisão. Segundo ele, a empresa está com as contas em dia, mas a situação é muito preocupante. "Fechamos 2014 com prejuízo, fizemos cortes radicais de despesas, reduzimos o quadro de pessoas. Estamos em busca de uma solução, procurando novos mercados e produtos", declara. A indústria, que produz autopeças em ferro fundido, tinha 120 funcionários há um ano e meio atrás. Hoje tem 85.
Outro empresário que sofreu grande impacto com o aumento da energia elétrica é Nivaldo Benvenho, da Midiograf. A conta da gráfica no ano passado era, em média, de R$ 31,1 mil por mês para um consumo de 122.860 megawatts. Hoje, consumindo 121.804 megawatts, ele paga R$ 69.706. Somente de bandeira vermelha, taxa extra cobrada pelas operadoras de energia devido à baixa nos reservatórios das hidrelétricas, ele paga R$ 10.340. "Bandeira vermelha é imposto disfarçado", declara o empresário.
Para ele, os paranaenses estão vivendo no "pior de dois mundos". Benvenho se refere aos governos do Estado e ao federal. "O governo federal é absolutamente incompetente na gestão elétrica e o governo do Paraná está pegando carona e empurrando para as empresas e os consumidores uma conta para recompor o caixa mal administrado", critica. Desde o ano passado, a gráfica demitiu 25 pessoas. "Não vamos fechar, mas estamos redesenhando nosso negócio para fazer frente a esta situação."

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