Reagir é a única saída
PUBLICAÇÃO
domingo, 20 de setembro de 1998
João José Werzbitzki 
Esta não é a primeira, nem será a última crise.
Talvez seja a mais singular delas, porque é agravada por um puritanismo imbecil que quer o impeachment do presidente norte-americano, por causa de um sexual-affair idiota, de uma moça que foi ao Salão Oval da Casa Branca para aconchegar-se ao homem mais poderoso do mundo.
Claro que a crise não se resume a isso, mas a tentativa de desestabilizar uma bela administração do Clinton abala os Estados Unidos e, por consequência, agrava as já combalidas e frágeis situações na Ásia, na Rússia e, é claro, no Brasil. É evidente que a situação é delicada, para todos nós, porque desde a crise asiática do ao passado vivemos experimentando muitas dificuldades.
Dificuldades que, na verdade, não são novidade para um povo e empresariado acostumado com a inflação, juros extorsivos, falta de crédito para o desenvolvimento, governo que gasta absurdamente demais, funcionários públicos (dos 3 poderes) com excesso de regalias, ganhos e mordomias, desvalorizações da moeda, corrupção e tanta coisa que dá uma lista sem fim de obstáculos a uma vida tranquila e próspera.
Já enfrentamos outras dificuldades e outros choques dramáticos antes - e sobrevivemos, quase todos. O fato é que a alta da taxa de juros vai gerar um certo imobilismo temporário, um bocado de incerteza, medo de investir e até de comprar - mas isso não é nenhuma novidade para nós, empresários brasileiros, que mereceríamos um PhD em administração de negócios, pelos malabarismos que somos obrigados a realizar, de tempos em tempos.
Estava bom demais! Moeda estável, negócios prosperando, o povo consumindo, as fábricas produzindo e empregando, o dinheiro circulando e a gente vivendo quase feliz.
Mas a realidade da globalização é essa. Estamos todos atados num mesmo destino planetário e vivendo o risco da especulação financeira devastadora - tanto que prejudicou até uma das economias mais fortes do planeta, que é a do Japão. Se o Japão, imaginem, está em dificuldades, que dizer de nós, brasileirinhos e brasileirinhas!
É claro que as dificuldades iam acabar chegando até nós. E até demoraram... Elevar as taxas de juros drasticamente não é uma ação que vá afundar a Pátria, nem salvá-la. Há muitos fatores internos e externos que deverão contribuir para a melhoria da situação, ou para piorá-la. Só que não podemos nos dar ao luxo de ficar de braços cruzados, esperando por esta solução. Temos que fabricá-la, fazendo a nossa parte: REGINDO!
Reagir como? Simples: agindo! Enxotando da vida pública os incompetentes e corruptos. Elegendo candidatos realmente capazes de defender o bem público. Trabalhando mais e cada vez mais. Investindo em criatividade, com ousadia, profissionalismo e bom senso.
Buscando resultados positivos, através de ações inteligentes e bem planejadas - mas é preciso ser ágil. Conquistando clientes e fidelizando-os, com um tratamento cada vez mais personalizado e atencioso. Negociando tudo o que for possível, como for possível. Atraindo clientes, através de ações de marketing e comunicação extremamente sérias e profissionais. Não há espaço para o eu acho, nem para feelings.
Contando despesas desnecessárias. Selecionando melhor seus parceiros. Combatendo o desperdício. Criando atrações para o mercado, através da simples ação de descobrir o que o mercado deseja e oferecer isso a ele. Sendo mais profissionais do que emocionais.
Atuando com determinação na obtenção de objetivos viáveis e necessários. Contratando gente mais competente e dispensando os menos competentes. Prestigiando os competentes e dedicados e dando bilhete azul aos acomodados. Tomando mercado da concorrência. Construindo imagem de marca, além de estimular o consumo. Criando percepção de benefícios e vantagens do produto, para o consumidor. E aumentando a carga horária de trabalho de todos nós.
Sem suor, sem sacrifício, sem dedicação, sem iniciativa, não tem solução. Ficar chorando, lamentando, reclamando, acusando, justificando, não vai auxiliar em nada.
É preciso reagir e agir. Já! Antes que a concorrência o faça.
Um estudo norte-americano sobre o comportamento das empresas durante as grandes crises vividas naquele país revela que quem se manteve ativo, presente no mercado, com ações de comunicação e marketing eficientes, saiu das crises ileso e mais: fortalecido. Quem se encolheu, ou pereceu, teve que gastar muito mais para se reerguer novamente.
Claro que estou vendendo meu peixe, da comunicação profissional, também neste artigo, mas esta é apenas uma demonstração de que já reagi e estou agindo - como todos nós devemos fazer.
Inventando promoções, comprando melhor para poder vender mais e melhor, fidelizando clientes, criando alternativas e idéias para não perecer.
Claro que não vai ser fácil enfrentar os próximos meses, mas o fato é que a vida continua. Precisa continuar. E nós precisamos continuar vivendo e prosperando.
Nossa felicidade e o nosso sucesso dependem muito mais de nós mesmos, do que dos outros. Basta querer e trabalhar para isso.
Basta enfrentar as crises com uma postura de coragem e determinação - reagindo, de todas as formas possíveis e imagináveis. Só não podemos nos conformar e morrer.
Reagir, já. É nossa única alternativa.
JOÃO JOSÉ WERZBITZKI é diretor da JJ Comunicação, de Curitiba.


