A abertura do comércio da área central de Londrina nas tardes de sábado volta a reacender a antiga polêmica entre entidades londrinenses. No último sábado houve uma tentativa de abertura com o incentivo da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), mas poucos lojistas se arriscaram a abrir as portas com o término da convenção coletiva datada de 30 de abril, que previa o funcionamento em dois sábados por mês.
''A abertura do comércio deve ser tratada pelos sindicatos (do Comércio Varejista - Sincoval - e Sindicato dos Empregados no Comércio). Gostaria que a Acil não interferisse naquilo que não lhe diz respeito'', afirma o presidente do Sincoval, Uzier de Carvalho. Ele diz que vai propor ao Sindicato dos Empregados no Comércio a abertura em três sábados por mês.
O assunto deve começar a ser discutido junto com a pauta de reinvidicações dos trabalhadores, que pedem reajuste de 15% nos salários e manutenção das conquistas sociais previstas em convenções anteriores. ''O horário do comércio não é de nosso interesse, mas sim do sindicato patronal. Nós já fizemos as nossas propostas, agora eles que façam deles'', sugeriu José Lima do Nascimento, presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio.
Conforme Lima, a abertura em dois sábados estava prevista apenas durante a convenção válida até 30 de abril. ''Em maio já é outra discussão'', afirmou Lima, acrescentando que nem sempre o fato do comércio ficar aberto aos sábados reflete em número maior de empregos. ''Teoricamente existe essa possibilidade, mas não funciona na prática porque os lojistas utilizam os mesmos empregados.''
Segundo ele, a abertura no sábado passado, fiscalizada pelo Ministério do Trabalho, foi por desinformação da Acil. ''Não podia abrir, porque não tem amparo na lei. Enquanto não se discute nova abertura, o comércio só pode abrir um único sábado por mês, após o quinto dia útil, conforme diz o Código de Posturas do Município'', avaliou Lima. Segundo ele, a Acil divulgou a abertura nas rádios e carros de som, o que gerou inclusive um ofício por parte do sindicato, encaminhado na sexta-feira à tarde, informando que a entidade não tem autonomia para falar em abertura do comércio.
O presidente da Acil, José Augusto Rapcham, prefere não polemizar com os sindicatos, mas lembrou que as decisões numa convenção não podem retroceder. ''Se fosse assim teríamos que voltar a pagar o salário antigo, acabar com os direitos conquistados a cada ano e começar tudo de novo a cada convenção. Por que eles querem retroceder só no que diz respeito ao horário do comércio?'', questiona.

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