O desafio de transformar biomassa em combustível nasce como variação de um processo químico conhecido como GTL (sigla para 'Gas to Liquid', ou, 'de Gás a Líquido') que permite a produção de combustível líquido e óleos lubrificantes a partir de gás natural. A reação foi descoberta na Alemanha no início do século passado visando o aproveitamento da reserva de carvão do país como fonte de energia durante períodos de guerra.
Esquematicamente, o processo passa por duas fases: inicialmente, o carvão é gaseificado e transformado no Gás Síntese, e, em seguida o gás sofre outra reação química - ''Síntese de Fischer/Tropsch'' - até se transformar em combustível.
Após o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, a técnica GTL entra em declínio comercial ante a ascensão da indústria petrolífera. Meio século depois, a redução das reservas mundiais, aliada a instabilidades geopolíticas e à crescente pressão ambiental, criou um ambiente propício para a busca de alternativas energéticas.
No Brasil, o desafio de utilizar biomassa descartada pela indústria alcooleira (bagaço, palha e resíduos líquidos da cana) para produção de combustível é uma das principais frentes de pesquisa abertas pela Petrobras.
Em 2004, a empresa criou a 'Gerência de Gás a Líquido', coordenada pelo engenheiro químico Eduardo Falabella de Souza Aguiar, visando desenvolver, até 2011, um modelo similar ao GTL com a substituição do carvão por outras fontes de carbono. Já batizado pelos pesquisadores de BTL (de Biomassa a Líquido), o programa aposta no rejeito das usinas como matéria prima alternativa. Se bem sucedida, a tecnologia vai significar a transformação de lixo industrial em fonte de energia.
A participação dos pesquisadores maringaenses no projeto tem origem nas relações acadêmicas de Souza Aguiar com a cidade. O engenheiro é professor da UFRJ e também atua como orientador de teses na UEM desde 1990.''Tenho uma relação profunda e afetiva com Maringá e sua universidade'', disse.(F.C.)

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