Os números surpreendentemente baixos da inflação e o espaço que eles abriram para o Banco Central reduzir a taxa de juros já levaram os economistas do Fundo Monetário Internacional (FMI) a alertar os administradores da instituição de que a contração do PIB brasileiro este ano será provavelmente bem menor do que os 3,8% previstos no programa de estabilização fiscal do País aprovado no mês passado. Os departamentos econômicos de bancos de investimento também estão revendo suas projeções e vislumbram uma recessão mais suave, entre 2% e 3% do PIB.
É óbvia a satisfação que existe no FMI com a rapidez com que o Brasil parece estar superando a crise de confiança que apenas algumas semanas atrás colocava o País à beira do abismo financeiro. Um dirigente do FMI disse há dias que o desempenho brasileiro tem sido ‘‘brilhante’’.
A deterioração fiscal e a explosão da dívida pública, confirmadas pelas estatísticas oficiais divulgadas no início da semana, não alteraram a avaliação positiva que se faz no Fundo sobre a economia brasileira. A razão é que as más notícias nas áreas fiscal e do endividamento público eram esperadas e já estavam embutidas nos cálculos da revisão do programa negociada com o governo após a mudança do regime cambial. Elas refletem o impacto adverso da desvalorização da moeda, que ocorre apenas uma vez.
A cautela com que as autoridades econômicas brasileiras e o próprio presidente Fernando Henrique Cardoso tem tratado as boas notícias, advertindo que elas não devem alimentar excessos de otimismo, tem tranquilizado o FMI. Escaldados por experiências negativas com o Brasil, os administradores do FMI sabem que as notícias econômicas positivas podem levar a um relaxamento na execução da parte mais difícil e mais indispensável do programa, ou seja, o ajuste das contas dos setor público.
Por essa razão, o FMI tem enfatizado em contatos com interlocutores brasileiros a importância de o País não se deixar levar pela euforia das boas notícias no mercado financeiro e avançar na execução da política fiscal, pois uma atitude complacente minaria a credibilidade externa no primeiro tropeço e condenaria o Brasil à tragédia de suceder a si mesmo no papel de bola da vez da crise financeira global.
Como os integrantes da equipe econômica estão mais do que conscientes disso, o que mais se tem ouvido em Washington são palavras de incentivo e cumprimentos. O secretário internacional do ministério da Fazenda, Marcos Caramuru de Paiva, que representou o Brasil numa reunião preparatória do Comitê Interino do FMI, esta semana, retornou a Brasília satisfeito com as manifestações de admiração sobre a surpreendente capacidade de reação da economia brasileira que ouviu do vice-secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Lawrence Summers, do diretor-gerente do FMI, Michel Camdessus, e de seu vice, Stanley Fischer.
A CPI dos bancos não abalou a avaliação francamente favorável sobre o País entre os dirigentes da comunidade financeira oficial. E o retorno do Brasil ao mercado de capitais, com uma emissão de bônus esperada para a semana que vem, deve reforçar essa percepção e o clima positivo no qual se instalará a reunião de primavera do FMI e do Banco Mundial, no fim da próxima semana.

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