'Reação do emprego no Brasil é frágil'
PUBLICAÇÃO
domingo, 01 de outubro de 2000
Vânia Casado De Curitiba 
O debate nacional sobre a influência das políticas públicas sobre o desemprego no País e sobre o crescimento do mercado de trabalho informal está se fortalecendo. O Conselho Federal de Economia (Cofecon) e a Associação Brasileira de Estudos do Trabalho (Abet) estão promovendo seminários em todo o País para abordar a preocupação dos economistas com a manutenção do desemprego, que ainda se mantém em alta.
Os economistas defendem que as políticas públicas precisam ser reformuladas para reduzir o desemprego. E, para isso, só há dois caminhos para promover a retomada do emprego de forma sustentável. Um seria a Reforma Tributária, pela qual se tributaria menos sobre uma base de contribuição maior. Outra alternativa seria a retomada imediata do crescimento econômico e isso só pode ocorrer se o País equacionar rapidamente o problema criado com o crescimento astronômico de suas dívidas interna e externa.
O seminário, realizado na sexta-feira em Curitiba, já foi promovido em Belo Horizonte (MG) e Manaus (AM). Os próximos encontros serão promovidos em Recife (PE) e no Rio de Janeiro.
Para o coordenador do Cofecon, Juarez Varallo Pont, as questões básicas que provocaram o desemprego em todo o País ainda não foram resolvidas. Segundo ele, as pesquisas do Dieese e de órgãos públicos que apontam a queda continuada nos níveis de emprego em Curitiba nos últimos meses são atribuídas a uma conjuntura de mercado. Pont explica que as pesquisas estão muito concentradas no desempenho das montadoras de veículos, que fecharam bons contratos de exportação. Se esses contratos de uma hora para outra forem encerrados, o desemprego retorna, avisa.
Mesmo no item serviços, outro segmento em que o emprego cresceu nos últimos meses, de acordo com as pesquisas, também há um limite para essa empregabilidade, que não é inelástica, afirma o economista. O setor de serviços não consegue receber todos os desempregados e existe muita informalidade nesse meio, lembra. Pont destaca que os elos que estão sustentando a reação dos níveis de emprego ainda são muito frágeis e não são sustentáveis economicamente.
É por isso que não podemos esquecer que o desemprego ainda é um fantasma que ronda a economia, alerta. Segundo ele, das 76 milhões de pessoas da população economicamente ativa que existem no País, pelo menos 40 milhões estão fora do mercado, entre o desemprego e a informalidade. Para Pont, a alta carga de tributação que incide sobre os salários é um dos fatores que contribuem para a redução dos empregos formais.
Na discussão da definição de políticas públicas para a retomada do crescimento econômico, Pont diz que o governo precisa rediscutir a questão das dívidas interna e externa. Segundo o economista, o governo criou uma armadilha para ele mesmo quando continua captando recursos externos para financiar investimentos produtivos no mercado interno.
Ocorre que a dívida externa aumenta e a interna também, porque acaba recorrendo a juros altíssimos para rolar sua dívida com o mercado. A dívida interna vai se tornar impagável em pouco tempo, avisa.


