Reação deve recompor salários
PUBLICAÇÃO
sábado, 13 de maio de 2000
Liliana Pinheiro da Agência Estado De São Paulo 
A onda de otimismo com a economia brasileira finalmente bateu no bolso dos trabalhadores, que acumularam pesadas perdas salariais nos últimos dois anos. Economistas, institutos de pesquisa e técnicos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) já falam em recomposição da massa de rendimentos no Brasil e da renda dos empregados.
A massa é a soma de todos os rendimentos, ou seja, tem a ver não apenas com poder de compra, mas também com a recuperação do estoque de empregos. Mas os especialistas também estão imaginando uma recuperação da renda no segundo semestre. Na média deste ano, a renda ainda deve ter perda, mas em nível muitíssimo menor do que em 1999.
O economista Gustavo Madi Rezende, da LCA Consultores, reviu sua previsão feita em fevereiro, que apontava queda de 3,1% na massa de rendimentos e de 2,6% no rendimento médio real dos ocupados este ano. Agora, ele fala em aumento de 1,3% na massa e queda de apenas 1,5% nos rendimentos médios dos trabalhadores.
O Produto Interno Bruto (PIB) calculado pelo IBGE, por exemplo, teve alta de 3,08% no primeiro trimestre, em relação ao mesmo período do ano passado. Existe potencial para o estoque de empregos crescer 2,8% este ano, diz Rezende. A LCA espera ainda aumento de 8% no crescimento de vendas de bens duráveis, como automóveis, eletrodomésticos e móveis.
A pesquisa Seade-Dieese apontou, de janeiro do ano passado a janeiro deste ano, queda de 9,5% no índice de rendimento médio real dos ocupados, e de 7% na massa de rendimentos. O diretor técnico da entidade, Sérgio Mendonça, faz agora previsões não positivas, mas muito mais alentadoras. Para ele, a massa poderá pelo menos parar de cair variação zero ou sofrer queda de algo próximo a 1%, interrompendo a trajetória que já dura alguns anos. Mas o nível de emprego deve aumentar cerca de 2% no ano, o que possibilitará melhores negociações salariais.
Mendonça não tem ilusões, contudo, de que esse início de recuperação vá propiciar, em prazo mais longo, saltos de qualidade no emprego e na renda. Teremos melhora este ano, se o quadro externo não atrapalhar, explica. Mas não voltaremos tão cedo à situação de 1997, antes da crise asiática. Segundo disse, a economia brasileira está claramente apontando seu limite de crescimento, em torno de 3% ou 4% ao ano. Rezende, da LCA, concorda com ele. Nem em 2001 teremos recuperado os indicadores de renda, massa e emprego de 1997, prevê.


