Reação da economia ajuda a recuperar renda do trabalhador
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domingo, 07 de dezembro de 2003
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba A reação da economia prevista para o primeiro trimestre do ano que vem deverá estimular a recuperação da renda do trabalhador, através de acordos salariais e negociações coletivas mais vantajosos. A previsão é que com a queda da inflação, as categorias de trabalhadores consigam fechar acordos que privilegiem aumentos reais de salário, caminho mais curto para a recuperação da renda.
De acordo com Cid Cordeiro, economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), os acordos já fechados no Paraná como o do Sindicato dos Metalúrgicos e Sindimetal e pelos funcionários da Usina de Itaipu, com aumento real de 2% mais abonos, sinalizam para a recuperação do poder aquisitivo dos salários.
No primeiro semestre deste ano, quando a inflação estava em alta e os indicadores da produção em baixa, 46% das categorias de trabalhadores conseguiram acordos salariais que zeravam a inflação. Outras 54% das categorias não conseguiram zerar a inflação. ''Foi a primeira vez desde 1995 que o percentual das categorias que não conseguiram zerar a inflação foi superior ao das que conseguiram zerar a inflação'', observou Cordeiro.
A partir do segundo semestre, a conjuntura econômica mudou quando a inflação começou a desacelerar e o Banco Central (BC) começou a reduzir os juros. Conforme avaliação de Cordeiro, no Paraná setores como o da agroindústria, indústria química, metalmecânica e o comércio do interior tiveram bom desempenho este ano. ''Isso facilita a discussão do zeramento da inflação com suas respectivas categorias de trabalhadores'', afirmou. No caso dos acordos firmados pelos metalúrgicos, que conseguiram reajustes reais, Cordeiro atribuiu o resultado à grande mobilização da categoria, que forçou a negociação com o sindicato patronal.
Já os trabalhadores do setor de cimento estão com dificuldades de fechar acordos salariais que zeram a inflação. Na Itambé, o acordo fechado em novembro resultou no reajuste de 13%, frente aos 16,15% da inflação. O grupo Votorantim, que fabrica o cimento Rio Branco, também está propondo reajuste de 13%, que não está sendo aceita pelos trabalhadores. As empresas alegam que caiu o consumo. Os trabalhadores argumentam que, para compensar a queda no consumo, as fábricas aumentarm o preço do cimento em 30% este ano.


