São Paulo - O dinheiro da correção do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) que pingou no bolso do consumidor a partir de julho somado agora ao pagamento do 13.º salário vai contribuir para que o acerto de dívidas pendentes no crediário tenha aumento recorde este ano. No acumulado de janeiro a outubro, o cancelamento de dívidas no Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) está com crescimento de 26,6% em relação ao mesmo período do ano passado.
''O FGTS influenciou bastante este resultado porque foi um dinheiro extra aproveitado em parte para acertar débitos. A expectativa é de um Natal um pouco melhor, com mais consumidores reabilitados para compras'', diz o diretor do Departamento de Economia da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Marcel Solimeo. A estimativa é de crescimento em torno de 1,5% em relação a dezembro de 2001. ''O aumento acentuado dos cancelamentos ajudou também a segurar a inadimplência'', afirma. Em outubro, o índice da inadimplência era de 4,4% ante 6,2% do mesmo mês de 2001.
Para o economista Wilson Ramião, do Lloyds TSB, o pagamento do FGTS adiantou o movimento de acerto de contas que costuma ocorrer só com o pagamento do 13.º salário. Por enquanto, o crediário está fraco e o consumidor, principalmente o de baixa renda, cauteloso diante da possibilidade de se envolver em novas prestações. ''Os juros altos e a perspectiva de novos aumentos antes do Natal têm segurado as vendas'', diz Solimeo.

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