Os olhos de todo o mundo sempre estão voltados para o potencial de compra do mercado chinês. Portanto, após o encontro da semana passada entre a presidente, Dilma Rousseff, e o presidente da China, Xi Jinping, que confirmou a retirada do embargo da carne bovina brasileira, nada mais natural que haja um boa perspectiva do setor, inclusive no Paraná.
Frigoríficos de todo o Brasil estão na expectativa para a habilitação e retomada das exportações para o mercado chinês. O país asiático fechou as portas para a carne bovina nacional em 2012, após um caso atípico de "vaca louca" no Estado. De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), naquele ano, a venda de carne bovina "in natura" para a China fechou em US$ 72,4 milhões, no total de 16,4 mil toneladas. Em 2013, a importação do país asiático para este tipo de produto fechou em 300 mil toneladas, sendo os principais vendedores Uruguai, Austrália e Nova Zelândia, e o Brasil ficou de fora.
Já o Estado exportou para a China pela última vez em 2011. Números do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Paraná (Sindicarne) apontam uma comercialização pequena, algo em tono 25,4 toneladas, e valor de US$ 65,2 mil.
De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) e também do Sindicarne, Péricles Salazar, antes do embargo havia oito frigoríficos de três empresas do País habilitadas para exportar para a China. "Agora, temos mais nove plantas aguardando a habilitação chinesa, mas não temos nenhuma do Estado nesta situação", explica ele.
Atualmente, apenas dois frigoríficos do Paraná estão habilitados para exportar carne bovina, mas nenhum deles para o país asiático. Mesmo assim, a expectativa de Salazar é que a médio ou longo prazos, o Paraná consiga abocanhar parte deste mercado. "Vale dizer que entre o discurso político e a realização comercial há uma espera relativamente grande. O Paraná tem potencial, mas vai precisar trabalhar para isso. A nível nacional, acredito que a retomada das exportações aconteça a partir do segundo semestre de 2015", complementa o presidente das entidades.

Exportação positiva
Apesar da China não ser um mercado que o Estado possa contar neste momento, as exportações de carne bovina continuam interessantes e fecharam o primeiro semestre com saldo positivo. Números compilados pelo Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura do Estado do Paraná (Seab) apontam que, entre janeiro e junho, foram exportados 13,9 mil toneladas do produto, uma alta de 28,2% frente as 10,8 mil toneladas do primeiro semestre do ano passado.
Em faturamento, os números também são positivos: incremento de 47,5%, de US$ 35,1 milhões para US$ 51,8 milhões. Os principais mercados são Hong Kong, Irã, Egito e Paraguai. No País, até agora foram exportados US$ 3,37 bilhões, com montante total de 755,4 mil toneladas.
O técnico do Deral, Fábio Mezzadri, explica que durante o primeiro semestre a oferta de animais se manteve boa e que o produto está sendo comercializado a bons valores no mercado externo. Em abril, último número levantado, a média da tonelada foi comercializada a US$ 4,53 mil. "O ano começou complicado com a estiagem, mas o setor conseguiu realizar a engorda dos animais e fechar o semestre com um bom saldo", completa ele.
O Paraná conta com 9,41 milhões de cabeças de bovinos, o que representa 4,4% do montante total do País.

Imagem ilustrativa da imagem Reabertura do mercado chinês para a carne anima setor no PR
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