Rastreabilidade sem tipificação é pouco eficaz, diz José Eduardo
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terça-feira, 18 de dezembro de 2001
De Londrina 
A rastreabilidade da carne bovina (Sistema Brasileiro de Cadastro e Identificação de Animais), que o governo pretende implantar a partir do próximo ano, é interessante mas precisa vir acompanhada da tipificação de carcaça. Só assim trará reais benefícios para produtores e consumidores. Sem a tipificação e outras medidas básicas a rastreabilidade será inócua.
A opinião é do agropecuarista José Eduardo de Andrade Vieira, ex-ministro da Agricultura, ex-ministro da Indústria e do Comércio e ex-senador. Ele fala com a autoridade de quem começou a organizar o setor, dandos os primeiros passos para implantar um sistema moderno e justo de comercialização. Foi na gestão de José Eduardo, no Ministério da Agricultura, em 1995, que se implantou o sistema de desossa e embalagem da carne bovina gerando economia para o produtor e, ao mesmo tempo, fornecendo informações para que o consumidor saiba o que está comprando.
Sem a tipificação de carcaça, a rastreabilidade acaba se tornando apenas mais um ônus para a cadeia produtivida da carne - segundo José Eduardo. ''O preço da arroba hoje é igual para animais de melhor qualidade e animais de qualidade inferior; não contempla todo um trabalho de melhoramento de genética e manejo. Com a tipificação de carcaça será possível ao produtor obter preços melhores para o novilho precoce'', afirma.
Para implantar a desossa e embalagem da carne, já adotadas por grandes redes de varejo, o ministro José Eduardo e técnicos do Ministério da Agricultura foram conhecer sistemas vigentes em países desenvolvidos nesse setor, como a França. Na Inglaterra, por exemplo, José Eduardo se reuniu com técnicos de instituições encarregadas de monitorar e aferir a classificação da carne. Uma dessas associações, parceria entre indústrias frigoríficas e produtores, vem fazendo isto há mais 50 anos.
José Eduardo conceitua que o consumidor tem direito de saber de onde vem o alimento que está comprando e como ele foi produzido. Já o produtor tem direito a uma remuneração diferenciada em função da qualidade do seu produto.
Nesse contexto, ''é preciso que se dê um destino para a carne inferior'', defende José Eduardo. Nos Estados Unidos, por exemplo, a carne inferior vai para a indústria; é moída e preparada para hambúrguer. Mas no Brasil - critica - a carne inferior vai para o açougue para ser vendida como carne de segunda ou de primeira desvalorizando o produto de melhor qualidade.
A rastreabilidade, para ser eficiente, tem que ser uma etapa avançada de uma experiência bem-sucedida em 1995, amplamente discutida antes de virar lei.


