Brasília - Os pecuaristas brasileiros que quiserem exportar carne para a União Européia terão de continuar fazendo rastreabilidade individual dos bovinos, afirmou ontem o secretário-executivo do Ministério da Agricultura, José Amauri Dimarzio.
''A hipótese de rastreabilidade coletiva está descartada. Os europeus querem passaporte individual de animais, como fazemos agora com o Sisbov'', afirmou Dimarzio. Ele se refere ao Sistema Brasileiro de Identificação de Origem Bovina e Bubalina (Sisbov), um banco de dados que reúne dados referentes aos últimos 40 dias de vida dos animais.
Sem incluir animais no Sisbov, os pecuaristas não recebem certificado que garante exportação para a União Européia. Os pecuaristas argumentam que a atual rastreabilidade individual encarece a produção e defendem que o governo apresente proposta à União Européia solicitando rastreabilidade coletiva.
O secretário-executivo está no sul da França, onde participa de seminários e grupos de discussão sobre pecuária e negociações internacionais. Dimarzio afirmou que, a partir de janeiro de 2004, a rastreabilidade de bovinos será estendida para todos os importadores de carne bovina brasileira. Hoje, a carne rastreada é comercializada com a União Européia. Ele estimou que num futuro muito próximo a rastreabilidade também chegará à mesa dos brasileiros. Na União Européia, a identificação dos animais é obrigatória para o rebanho de leite e de carne. ''O mundo quer segurança alimentar. Quem não fizer vai ficar fora'', afirmou.
Se os pecuaristas brasileiros insistirem na proposta de rastreabilidade coletiva, o Brasil poderá perder o mercado europeu de carne bovina, alertou o secretário-executivo. Dimarzio disse que voltará ao Brasil convencido de que as regras do Sisbov devem ser mantidas.
''O Sisbov deve ser ampliado. Os rebanhos leiteiros também terão de entrar no programa'', afirmou. Ele estimou que, até dezembro de 2004, os bovinos de corte serão rastreados desde o nascimento.
As normas atuais estabelecem que os animais estejam cadastrados por pelo menos 40 dias no Sisbov antes da autorização para exportação. O assunto, acrescentou, será discutido na reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Carne Bovina, marcada para o próximo dia 16, em Brasília.

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