São Paulo O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, anunciou ontem que a adesão dos pecuaristas ao Sistema Brasileiro de Identificação de Origem Bovina e Bubalina (Sisbov) passa a ser voluntária. O anúncio foi feito após reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Carne Bovina, com representantes da cadeia produtiva de carne bovina e com parlamentares.
O fim da obrigatoriedade será estabelecido por meio de instrução normativa a ser publicada nos próximos dias. Está mantida, porém, a necessidade de inclusão dos bovinos no Sisbov por um período mínimo de 40 dias para exportação de carne bovina. Como a adesão do pecuarista será voluntária, os frigoríficos exportadores terão que criar formas para estimular o rastreamento.
Segundo Rodrigues, os pecuaristas que já aderiram ao sistema não terão prejuízo. O raciocínio do governo é que os frigoríficos exportadores terão que pagar um prêmio pelos animais rastreados, o que compensará os custos adicionais dos pecuaristas. ''Eu sempre defendi que a rastreabilidade teria que ser um bônus para o pecuarista, e não um ônus'', comentou o ministro.
O presidente do Fórum Nacional Permanente da Pecuária de Corte da Confederação da Agricultura do Brasil (CNA), Antenor Nogueira, disse que os frigoríficos pagavam o valor de mercado pelos bovinos registrados no Sisbov e compravam animais não-rastreados com deságio. ''Os preços do boi gordo tendem a subir e os frigoríficos que quiserem animais rastreados terão que pagar um prêmio'', comentou.
Nogueira lembrou que pesquisa recente do Projeto Conhecer, da CNA, mostrou que 73% dos entrevistados acreditam que a rastreabilidade deve ser voluntária. Foram enviados 13.902 questionários a pecuaristas de corte e de leite e respondidos 3.586.
Na reunião da Câmara, contou Nogueira, foi criado um grupo de trabalho formado por representantes do governo, iniciativa privada e parlamentares que deve apresentar, num prazo de 60 dias, proposta de rastreabilidade por lote ou propriedade. Hoje, a certificação é individual. Outro grupo vai reunir documentos necessários para pedir a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) pedido para que o País seja reconhecido como área livre do mal da vaca louca.

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