Raridades com mais de meio século
Se por um lado, os compositores de música clássica nos ajudam a contar a história de seus países, por outro a gente quer encontrar uma maneira de ouvir essa música pelos melhores canais possíveis. E aí vamos de encontro aos equipamentos que oferecem a melhor fidelidade, argumenta Carlos Haroldo Novak, ex-superintendente regional da Infraero em Londrina e atual titular da superintendência no aeroporto de Congonhas, em São Paulo.
Ele tem em sua casa raridades, com mais de meio século de história. Um exemplo é um equipamento valvulado, fabricado na Suíça na década de 1950, que utiliza fitas magnéticas de rolo, herdado do seu avô. Ele funciona perfeitamente e dá um som maravilhoso. Até hoje, só vi dois no Brasil. Por ser valvulado e analógico, você ouve horas e horas sem cansar os ouvidos, diz.
Novak também tem gravadores de rolo das décadas de 1960 e 1970 (dois suíços e um japonês). Entre eles, há heranças de família e aquisições feitas em lojas de equipamentos usados, em São Paulo. Alguns vieram com defeito ou sem funcionar, mas, pesquisando, foi possível achar peças para colocá-los em condições originais.
Também fazem parte do sistema de som de Novak um toca-discos alemão, caixas de som inglesas e pré-amplificadores e amplificadores norte-americanos. O acervo musical dele, em vinil e fitas de rolo, é composto em 60% por música clássica, mas também tem jazz, bossa-nova, MPB e rock das décadas de 60 e 70. Parte vem de família e parte foi adquirida em lojas e feiras da capital paulista. Tenho algumas gravações de 50, 55 anos atrás, muito boas, em estéreo, em alta fidelidade e com o que a gente chama de timbre sonoro muito interessante, bem agradável de se ouvir, diz.
Ele lembra que tudo isso era uma pechincha na década de 80 e passou a ter mais valor nos anos 90. Com a volta do vinil, hoje tudo tornou-se muito caro, observa. Sabe-se que os vinis raros (usados) custam de R$ 150 a R$ 300, e os novos, encontrados em megastores, podem chegar a R$ 500 (álbum triplo).
Novak não chega a se considerar um audiófilo e não quantifica em dinheiro os seus equipamentos. Tem muito mais valor sentimental. Isso é um hobby. Traz inspiração e reflexão na minha vida, me sinto preenchido, afirma. (G.M.)





