Os analistas da Hedging-Griffo alertam que os riscos para o cenário externo também diminuíram bastante, sinalizando que a saída da crise também pode ser sincronizada no curto prazo, o que contribuiu para a alta dos preços das commodities. Contudo, alertam, o fato da ociosidade dos fatores diminuir mais rápido do que nos outros ciclos coloca um risco para a inflação. ''Depois de nove meses consecutivos de deflação, a inflação no atacado já mostra uma nova dinâmica. Grupos importantes do IPA Industrial, tais como produtos alimentícios, químicos, veículos, combustíveis e metalurgia reverteram a queda, e dificilmente voltarão ao território deflacionista, a não ser por algum evento episódico'', projetam.
O que está ocorrendo, de acordo com os especialistas, é uma readequação de preços domésticos à recuperação das commodities no mercado mundial. ''É um evento que vem de fora, mas que encontra condições de demanda fortes que não impõem muitas restrições de repasses. Ainda não enxergamos um quadro de aumento generalizado de preços (a concorrência com importados nos bens finais vai ajudar aqui), mas é um cenário de maior cautela'', previne o Departamento Econômico da Hedging-Griffo.
Já a inflação do varejo, segundo os especialistas, está passando pelo seu melhor momento. ''O IPCA de agosto ficou em apenas 0,15%, com todas as aberturas de núcleos mostrando desaceleração. A inflação do grupo de serviços, mais relacionada com o mercado de trabalho, recuou para 7%, ante pico de 7,2% em maio. Nos próximos meses, o IPCA deve apresentar alguma recomposição, mas ainda apresentar variações mensais modestas, encerrando o ano em 4,2%'', espera Hedging-Griffo.
''Mas em 2010 já teremos um movimento de alta da inflação ao consumidor, para 4,7%. Esta alta só não será mais pronunciada porque teremos uma inflação de preços administrados (tarifas públicas e itens reajustados por contratos, que geralmente seguem a variação do câmbio/IGP) muito baixa, ao redor de 3,7%. E a inflação de Serviços deverá continuar em desaceleração, captando com grande defasagem o impacto do menor ritmo de atividade depois da crise'', afirmam
Mas é exatamente aqui, dizem eles, que poderá haver surpresas negativas. ''Como já comentamos, o mercado de fatores - capital e trabalho - deve evoluir mais rapidamente do que o que se esperava, num contexto em que a inflação volta a subir, ainda que aos poucos. Todas as indicações são de que a inflação de 2011 vai acelerar.
Para a instituição, até o momento, o Banco Central sinalizou que pretende manter a Selic estável por um longo período, mas a forte retomada do mercado de trabalho poderá aumentar a preocupação com o ritmo de atividade e antecipar a discussão sobre alta dos juros. (AE/F.C.A.)

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