Randon anuncia queda de 15% na receita e projeta retomada
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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
Caxias do Sul - O grupo gaúcho Randon, com foco na produção de autopeças, veículos e implementos, anunciou ontem retração de 16,2% na receita bruta no ano passado sobre 2011. O valor caiu de R$ 6,4 bilhões para R$ 5,3 bilhões em 2012, o que é explicado pela direção da empresa como reflexo do fraco crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, de dificuldades impostas pelas mudanças constantes em juros de linhas de financiamento e pela queda acentuada na produção de caminhões. Para 2013, a análise é que o ano já começou aquecido, o que deve significar uma retomada geral na economia, com crença dos empresários no crescimento do PIB nacional acima de 3%.
Os produtos da Randon permeiam outros setores significativos da economia brasileira, o que torna a estimativa de que as receitas do grupo cresçam 15% sobre 2012 um reflexo do desenvolvimento nacional como um todo, segundo o diretor Corporativo de Relações com Investidores e Institucionais da empresa, Astor Schmitt. Ele estima o número de caminhões produzidos até dezembro no País em 175 mil, ou 25% a mais do que no ano passado. Sobre o número de implementos, a estimativa é de crescer 15% e chegar a 60 mil unidades. "Trabalhamos com essa expectativa de que o PIB neste ano passe dos 3%", diz.
A previsão de safra recorde, na qual o Paraná e os estados do Sul terão grande participação, também vai movimentar a economia brasileira e os negócios da Randon. Ainda mais depois da quebra de safra devido à estiagem do ano passado, o que explica em parte a redução dos negócios da empresa. "A seca atingiu não só o Brasil, mas vários outros países, como a Argentina", comenta Schmitt, sobre a produção de grãos no país vizinho.
Nesse cenário, o diretor presidente da companhia, David Abramo Randon, afirma que as fábricas voltaram a trabalhar com mais de 80% da capacidade em janeiro e fevereiro últimos. "As indústrias de autopeças já funcionam em três turnos e as de implementos, em dois."
Pior em uma década
Os diretores da Randon não temem dizer que 2012 teve o resultado mais fraco dos últimos dez anos (veja mais no infográfico ao lado), mas contam com a possibilidade de crescer na média de 15,6% dos últimos 15. Tanto que a empresa não mudou os planos de investimentos no ano passado de R$ 276,9 milhões, em novas plantas e aquisições. Para 2013, porém, deve ajustar as aplicações para R$ 130 milhões depois do ano fraco. "(A queda) é conjuntural, mas fechamos com lucro, no azul, e a saúde dos negócios segue inabalável", garante Schmitt.
Sobre as causas para a queda, o diretor diz que os fabricantes de caminhão lotaram o estoque do modelo Euro 3 no início de 2012, preparados para a procura antes da transição para o Euro 5. As vendas não ocorreram e a produção ficou estagnada. No caso dos financiamentos, ele cita o Finame, para máquinas e equipamentos, que caiu de 10,5% para 2,5% em etapas. "A demora em absorver mudanças gerou burocracia para liberação do crédito", afirma, ao lembrar que as baixas taxas serão aliadas daqui para frente.
O repórter viajou a Caxias do Sul a convite da Randon.



