O Rally da Safra, expedição que está viajando o Brasil para levantar informações sobre a safra de grãos de 2005, prevê quebra de até 35% na safra de soja do Paraná em decorrência da estiagem. Uma das equipes do Rally esteve ontem pela manhã em uma fazenda em Cambé e à tarde numa propriedade no município de Londrina, onde vistoriou roças de milho e soja e coletou informações sobre a safra de verão.
Projeto da Agroconsult, empresa de consultoria em agronegócio com sede em Florianópolis, o Rally da Safra estima ainda redução na safra brasileira. ''Iniciamos o rally com a expectativa de termos uma safra recorde com 63 milhões de toneladas. Logo nos primeiros dias houve uma redução da estimativa por causa da estiagem para 58,4 milhões de toneladas. Hoje, 10 dias depois, prevemos que o Brasil vai colher 54,1 milhões de toneladas de soja'', explicou Guilherme Bastos, coordenador do rally e agrônomo da Agroconsult.
Os resultados da safra deste ano ainda são maiores do que a de 2003/2004, quando foram colhidas 49,8 milhões de toneladas da oleaginosa. Porém, o agrônomo ressalta que esta safra tem uma particularidade. ''Uma boa parte teve uma incidência de grão verde e isso reduz o preço da saca'', comentou. As empresas que compram soja toleram 10% de grão verde na saca, passando disso os descontos no preço podem ser superiores a 20%, dependendo do percentual. Ele recomenda, entretanto, a venda escalonada. ''É melhor o produtor não tentar acertar um único preço. O melhor é ir comercializando aos poucos'', aconselha.
A equipe que está passando pelo Paraná saiu de Campo Grande e viaja com destino ao Rio Grande do Sul, onde as perdas podem chegar 50% na soja, informou o agrônomo. No Paraná, a equipe visitará nove cidades nos principais pólos agrícolas. As visitas iniciaram pelo município de Cascavel e Campo Mourão. Ontem, Cambé e Londrina, onde foi realizada também uma palestra, à noite, com produtores sobre a tendência do mercado de grãos.
De acordo com Guilherme Bastos a safra de milho também terá quebra, se bem que menor se comparada com a soja. Da previsão inicial de 32 milhões de toneladas de milho, deverá colher 29 milhões de toneladas. ''A quebra é menor, mas a previsão de consumo no Brasil é de 42 milhões de toneladas para este ano, o que indica que o produto terá que ser importado'', comentou o agrônomo.
O objetivo da rally é levantar informações importantes sobre sanidade da lavoura, uso ou não de transgênicos, expectativa de produção, área plantada, plantio de safrinha, tipo de adubação, incidência de chuvas nas culturas de soja, milho, arroz, feijão e algodão e infra-estrutura para o escoamento da produção. Os dados levantados serão apresentados em três momentos diferentes: durante o Agrishow de Rondonópolis; na sede do Ministério da Agricultura, em Brasília, e no Agrishow de Ribeirão Preto.
O produtor Alceu Minozzo, que teve a propriedade visitada pelo Rally da Safra, deve colher 420 sacas de milho por alqueire. Em relação à soja, ele acredita que as perdas não vão chegar a 5%. ''Acredito que minha propriedade foi escolhida por causa do histórico de produtividade nesses últimos 10 anos''.

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