A economia brasileira deve encerrar o ano de 2001 registrando uma taxa de expansão medíocre (inferior a 2%), apesar da inflação ter permanecido sob controle (cerca de 7%). Na realidade, a atividade econômica já vinha emitindo sinais bastante nítidos de desaceleração desde o começo do ano, acompanhando a marcha mundial e antecedendo a crise argentina e o ''descobrimento'' do colapso energético.
A eclosão daquelas três crises provocou uma reação conservadora da política econômica, através da elevação dos juros primários e dos compulsórios bancários e da ampliação do grau de intervenção do Banco Central nos mercados de câmbio. Como resultado, o ritmo das atividades experimentou forte desaquecimento no segundo trimestre e passou a denotar uma certa acomodação entre julho e agosto, associada provavelmente à absorção dos efeitos da desvalorização cambial e à eficiente resposta dos agentes privados ao racionamento de energia.
Todavia, essa tendência foi abortada pelos impactos dos atentados terroristas de 11 de setembro. De acordo com as estimativas do IBGE, o PIB brasileiro cresceu 2,17% no acumulado dos primeiros nove meses de 2001, contra 4,6% em idêntico período de 2000. A moderada expansão foi liderada pelo setor agropecuário (3,21%), contra 2,48% dos serviços e 1,58% da indústria.
O crescimento da produção industrial, no intervalo janeiro-outubro, esteve fortemente concentrado em bens de capital (15,7%), traduzindo a expansão dos investimentos em energia elétrica (transformadores, baterias e acumuladores) e no setor agrícola (máquinas e equipamentos). A expressiva desaceleração na produção de bens duráveis (2,0%) pode ser explicada pela redução da demanda, evidenciada pelo encurtamento da oferta e o encarecimento do preço do crédito, à compressão da massa salarial e ao racionamento de energia.
Enquanto isso, o desempenho medíocre de bens intermediários (0,8%) comprova, de um lado, a interrupção da reativação da economia e, de outro, a insuficiência de investimentos em ampliação da capacidade produtiva dos ramos de insumos básicos. Adicionalmente, a queda verificada nas importações brasileiras, a partir do segundo trimestre do ano, e a substancial melhora nos saldos da balança comercial (US$ 1,786 bilhão entre janeiro e novembro) refletem a diminuição da demanda interna e das cotações internacionais do petróleo (US$ 20,00 o barril) e a influência da depreciação do real, ocorrida de forma mais acelerada entre março e setembro.
As informações disponíveis ainda não permitem dimensionar adequadamente a marcha de retração produtiva. Contudo, os resultados macroeconômicos entre janeiro e outubro convergem com as projeções oficiais e do mercado, dando conta de que a velocidade de expansão da economia brasileira deve registrar apreciável ''tranco'', declinando dos 4,4% em 2000 para 1,7% em 2001 e 2,0% em 2002, fechando a gestão FHC com a medíocre média de 2,0% ao ano, inferior aos 2,3% a.a. registrados durante a década perdida dos anos 80. Este teto de crescimento pode se repetir em 2002 se não houver uma reversão do panorama internacional desfavorável e/ou da política monetária restritiva.

GILMAR MENDES LOURENÇO é economista e conselheiro do Corecon-PR e professor da FAE Business School.
E-mail: [email protected]

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