Racionamento vai afetar balança comercial
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quinta-feira, 24 de maio de 2001
Agência Estado De Brasília 
O governo já está preparado para o impacto negativo que a crise de energia elétrica vai começar a provocar na balança comercial. O País vai importar mais e exportar menos, admite o secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior, Roberto Giannetti da Fonseca. Segundo ele, haverá uma demanda reprimida que será satisfeita pelas importações e os setores mais atingidos serão os eletrointensivos, ou seja, aqueles que utilizam muita energia elétrica na produção, como por exemplo as indústrias química, de papel e celulose, plástico, vidro, de alumínio e siderúrgica.
Mas, de acordo com Giannetti, ainda não é possível prever qual será o tamanho do prejuízo para a balança comercial, que já acumula um déficit de US$ 624 milhões este ano. Seria pura especulação prever um resultado, disse o secretário. O cenário negativo para o comércio frustou as perspectivas do governo de reverter o saldo da balança até o fim do ano, baseadas no constante crescimento das exportações nos últimos meses.
Nos quatro primeiros meses do ano o volume de exportações cresceu 14%, um recorde histórico que ultrapassou a média de crescimento do comércio mundial, de 6%. No primeiro quadrimestre, houve recorde nas exportações de todas as modalidades de produtos, básicos (25,5%), manufaturados (9,5%) e semimanufaturados (1,2%). Dos produtos com destino aos Estados Unidos, 75% foram manufaturados. De janeiro a abril, as vendas desses produtos de maior valor agregado para aquele mercado aumentaram 29,6%.
De acordo com a secretária de Comérico Exterior, Lytha Spíndola, o incremento das exportações foi resultado do aumento da quantidade exportada, já que os preços dos básicos e dos semimanufaturados vendidos pelo Brasil caíram 9,4% e 6,5%, respectivamente. Apenas os manufaturados tiveram uma valorização média de 1,4% no período.
Segundo cálculos da Fundação de Comércio Exterior (Funcex), a queda dos preços dos commodities no mercado internacional está se acentuando nos últimos meses. No último ano a queda dos preços foi de 1,9%, nos últimos quatro meses, de 6% e em abril a desvalorização dessa categoria agravou-se para 9,4%, o que atinge em cheio as exportações brasileiras, já que 37,7% da pauta brasileira é composta de produtos básicos.
De janeiro a abril, os produtos que tiveram maior aumento de exportações foram a carne suína (158%), o açúcar em bruto (111,7%), óleos combustíveis (705%) e a gasolina (150%), por causa de vendas feitas aos Estados Unidos, Antilhas Holandesas e África do Sul. A tendência para os próximos meses, porém, é de diminuição das exportações de óleos combustíveis e aumento das importações, por causa da crise de energia, avalia a Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
Os produtos que mais colaboraram para o aumento das importações, de 18,8% de janeiro a abril, foram os bens de capital (41,5%) e intermediários (38,7%), que juntos respondem por 80,2% do aumento das importações. Segundo Lytha, este aumento deveu-se às medidas adotadas desde janeiro para manter o ritmo de crescimento da economia. Foi ampliada a lista de bens de capital sem similar nacional que podem ser importados com tarifa reduzida a 5% e baixada a tarifa de exportação dos demais equipamentos de 19% para 14%, disse Lytha.
O governo esperava que, com o parque industrial renovado, a pressão das importações desses produtos sobre o resultado da balança fosse diminuída e as empresas, mais equipadas, passassem a produzir e exportar mais. Com a crise de energia, porém, o Ministério do Desenvolvimento não quer arriscar fazer previsões, já que não se sabe se essas empresas que investiram em equipamentos terão energia para aumentar a produção.


