O ''ministro do apagão'', Pedro Parente, disse ontem que o governo trabalha com a possibilidade de haver racionamento de energia elétrica de 5% durante todo o ano que vem, caso a condição hidrológica no País permaneça crítica como neste ano.
O racionamento seria, segundo Parente, estendido para além do período de estiagem. O ministro, que estava em Recife, também não especificou se os 5% seriam para todas as categorias de consumidores, ou uma média para o governo trabalhar.
Segundo Parente, esse percentual já leva em conta um possível aumento do consumo de 30% em relação a demanda de 2001, ou seja, um ano com o racionamento. Segundo ele, os estudos que definirão essa possibilidade terão início no final do ano levando em conta o nível dos reservatórios e as previsões meteorológicas.
O ministro confirmou também que o fim do atual programa de contenção de consumo será regionalizado e feito de forma progressiva. Os percentuais de economia vão cair gradativamente e em índices diferentes nos estados, dependendo do volume de água acumulado nos reservatórios das hidrelétricas. Se o atual quadro se mantiver, o Nordeste será a último a ser beneficiado.
O ministro disse que o governo não vai recuar na decisão de cortar a energia dos consumidores que não cumpriram as metas de redução nos dois primeiros meses do racionamento, apesar das dificuldades das distribuidoras em realizar a operação.
Parente voltou a confirmar também que a implantação do Plano B está descartada pelo menos até o dia 15 de setembro no Nordeste e até o dia 30 nas regiões Sudeste e Centro-Oeste.
Parente anunciou ainda três novas resoluções. Uma delas, flexibiliza a meta de economia das empresas sazonais, como as que trabalham com agricultura. Segundo Parente, essas empresas, em vez de três meses, poderão cumprir a meta em seis meses. A adaptação, disse, não implicará em consumo maior de energia.
Outra medida anunciada foi a mudança nas regras de operação da usina hidrelétrica de Sobradinho, localizada no Rio São Francisco, na divisa dos estados da Bahia e Pernambuco. A terceira resolução foi a aprovação da construção de duas novas termelétricas no Nordeste, uma no bairro do Bongi, em Recife (PE), e outra em Camaçari, na Bahia.

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