O diretor de infra-estrutura da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Pio Gavazzi, afirmou ontem que o racionamento de energia elétrica que começa em junho pode resultar em diminuição do ritmo de crescimento, corte de produção, aumento de custos e até demissão na indústria. ‘‘O impacto na indústria vai ser bastante grande’’, resumiu.
De acordo com ele, se for tomado um mês do ano passado como base para o corte de gasto com energia, as indústrias terão de reduzir drasticamente o consumo. ‘‘A indústria paulista cresceu do ano passado para cá. Se uma empresa consumia 1 mil quilowatts/mês, agora consome 1,2 mil ou 1,3 mil quilowatts/mês. Então, um corte de 20% sobre o consumo do mesmo mês do ano passado representa um corte de 23%, 24% sobre o consumo atual’’, explicou.
Gavazzi afirmou que uma indústria pode suportar uma redução entre 5% e 6%, diminuindo gastos nos setores administrativos, por exemplo. ‘‘Mais do que isso afeta a produção’’, disse.
Segundo ele, a primeira reação deverá ser a queda no ritmo de produção. Com isso, explicou, apesar de os gastos com matéria-prima diminuírem, os demais gastos se mantêm, aumentando o custo proporcional dos produtos.
No caso de uma empresa optar por suprir a falta de energia com geração a diesel, terá um gasto três a quatro vezes maior, disse Gavazzi. ‘‘Mas em alguns casos é melhor do que parar a produção’’, explicou.
Como última consequência, o diretor da Fiesp acredita que podem ocorrer demissões. ‘‘Primeiro se eliminam horas extras. Mas em alguns casos pode até haver demissões, dependendo do tamanho e da duração da crise energética’’, afirmou.
O diretor acredita que o governo tentará reduzir o impacto da crise de energia para a indústria. ‘‘Pelo menos é essa a palavra do governo’’, disse. Para ele, com a crise energética, a indústria não está mais em condições de prever crescimento.
O racionamento também poderá ser inflacionário. Ontem o presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Eletrodomésticos (Eletros), Paulo Saab, disse que a medida vai aumentar custos de produção no setor. Ele explicou que as indústrias atuam fortemente nos horários de pico e que mudanças de horários elevariam os custos. Saab não descartou a ocorrência de paradas das linhas de produção. Não é possível ainda, segundo ele, saber de quanto seria esse aumento. ‘‘Se acontecer, vai variar de indústria para indústria’’, afirmou.
O presidente da Eletros afirmou que a entidade estimula as suas 25 associadas a economizar energia. ‘‘Além disso, incentivamos também que as empresas fabriquem eletrodomésticos que consumam cada vez menos energia’’, disse. De acordo com ele, os refrigeradores, freezeres e condicionadores de ar já obedecem os padrões do Programa Nacional de Combate ao Desperdício de Energia (Procel). ‘‘Até agosto, toda a linha branca (que inclui ainda fogões e máquinas de lavar roupa) terá o selo’’, comentou. (Leia mais na página 2)

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