Racionamento pode chegar primeiro ao setor industrial
O governo federal deve receber, dentro de 15 dias, um plano de contigenciamento que será usado num eventual racionamento de energia elétrica nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. A informação é do ministro de Minas e Energia, José Jorge, ao explicar que caberá à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) estabelecer este plano.
Caso os níveis dos reservatórios das usinas hidrelétricas atinjam 40% da capacidade, haverá necessidade de reduzir a demanda de eletricidade em 10%. Se os depósitos ficarem com 44% da capacidade de água, a economia deve ser de 5%. O plano prevê cortes de energia, numa primeira etapa, para a indústria.
Ontem, o ministro recebeu os estudos do presidente do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Mário Santos, que apontam um cenário bastante crítico para os reservatórios das usinas instaladas nos Rios Grande, Tocantins e São Francisco. A única forma de descartar o racionamento é que os depósitos das usinas cheguem ao fim de abril com 49% da capacidade de água nas regiões Sudeste e Centro-Oeste e aos 50% no Nordeste. A hipótese de ficar na situação atual, ou seja, com os níveis dos reservatórios em 34,7% não existe, disse José Jorge.
O ministro José Jorge explicou que trabalha em duas frentes. A primeira delas tem por objetivo aumentar a oferta de energia elétrica no País. O ONS vem fazendo gestão para que as usinas nucleares Angra 1 e 2 passem a operar com toda capacidade de geração de energia. Ao mesmo tempo, as termelétricas existentes no País estão funcionando a toda carga. O objetivo específico é diminuir a geração hidrelétrica para permitir o enchimento dos reservatórios. Também foi retomda a importação de energia da Argentina.
A outra frente diz respeito ao plano de contigenciamento para administrar a demanda. Santos fez questão de assegurar que enquanto o racionamento é uma posição unilateral, a administração da demanda implica em dar opção ao consumidor para decidir a quantidade de eletricidade que deixará de consumir.





