Racionamento pode causar demissões de fruticultores
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segunda-feira, 11 de junho de 2001
Agência Estado De Natal 
Os produtores de frutas tropicais do Rio Grande do Norte temem que a obrigação de obedecer à redução de consumo de energia elétrica em 20% signifique a demissão de 30 mil a 40 mil trabalhadores que atuam na fruticultura irrigada no Estado. O que mais assusta os fruticultores é a ameaça de perder a destacada posição obtida pelo Estado no mercado de frutas. O Rio Grande do Norte é o primeiro produtor nacional de melão. Em 2000, as exportações dessa fruta geraram divisas de US$ 25 milhões.
Luiz Soares, presidente da Associação dos Produtores de Frutas Tropicais do Estado, disse que a companhia de distribuidora de energia elaborou a cota a que têm direito as fruticultoras com base nos meses de maio, junho e julho, justamente período de entressafra.
O temor dos produtores é de que o Estado que ano passado registrou exportações de US$ 50 milhões em melões, manga, banana e melancia , não atinja as previsões de vender para o exterior, este ano, US$ 70 milhões. Entre março e maio, os fruticultores potiguares já venderam para América do Norte e União Européia 14 mil de caixas de melão, 60 mil de mangas, 30 mil em bananas e 20 mil em melancia.
Deixem-nos em paz, que nós garantiremos a cota de redução possível, que é cortar o consumo das 17h30 às 20h30, disse Soares. O governo não pode deixar de ver que as empresas de fruticultura potiguares geram milhares de empregos no semi-árido.
O Rio Grande do Norte, segundo Soares, levou 15 anos para conseguir a posição de destaque que possui atualmente na fruticultura. As notícias correm e estamos recebendo telefonemas de países concorrentes como Chile, México e Costa Rica, perguntando se teremos condições de bancar a produção ou não. A perda pode ser irreversível, preocupa-se Soares.
Sessenta mil empregos foram gerados pela fruticultura irrigada no ano passado no Rio Grande do Norte. Este ano, se a proposta de não irrigar durante três horas for aceita pela Comissão Gestora da Crise Energética podem ser criados até 70 mil postos de trabalho.


