Racionamento pára 12,8 mil metalúrgicos
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terça-feira, 26 de junho de 2001
Agência EstadoDe São Paulo 
Empresas do setor metalúrgico estão concedendo férias coletivas a seus empregados por causa das metas de racionamento de energia e de seus impactos negativos na economia. Até o momento, já foram anunciadas férias coletivas -que costumam ocorrer apenas no final do ano - para 12.850 metalúrgicos.
A unidade da Volkswagen em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, dispensou na segunda-feira 2 mil funcionários da produção por dez dias. Nesse período, a montadora deixará de fabricar 4.050 veículos. A empresa espera reduzir o consumo de energia em até 12%. As unidades de Taubaté e São Bernardo do Campo, ambas em São Paulo, cancelaram o contrato de trabalho com seus funcionários que estava marcado para três sábados a partir deste mês. Segundo a assessoria e imprensa da Volkswagen, esses metalúrgicos seriam remunerados em horas extras.
A Fiat Automóveis também anunciou que vai dar férias coletivas de dez dias a 2,5 mil dos seus 10 mil funcionários da fábrica de Betim (MG) a partir do dia 9. A medida, segundo a empresa, é para adequar a produção à demanda atual do mercado, que deve apresentar uma retração de 10% neste mês e no próximo. As revendas da marca têm em estoque cerca de 28 mil veículos. O superintendente da Fiat, Gianni Coda, disse esta semana para a Agência Estado que, além do racionamento de energia, a alta dos juros e a instabilidade do dólar são fatores que estão provocando uma desaceleração na economia. Ele acredita, no entanto, que a partir de agosto a situação melhore.
A NGK, fabricante de velas e cabos de velas localizada em Mogi das Cruzes (Grande São Paulo), também deu início ao movimento de férias coletivas que passará de 50% do quadro de pessoal formado por 1,2 mil metalúrgicos. Ontem, 250 funcionários entraram em férias por dez dias. A partir da próxima semana, esses retornam ao trabalho e outros 600 funcionários saem em férias por também dez dias.
Se a empresa não utilizar esse tipo de ferramenta para economizar energia, não atingirá a redução exigida pelo governo, diz Ramiro de Jesus Pinto, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, ligado à Força Sindical. A medida adotada antecipadamente pelas montadoras surpreende o líder sindical. Talvez essa forma de reduzir o consumo, diminuindo a produção seja uma forma de pressionar o governo. Estou surpreso porque, nesta época do ano, as montadoras estão iniciando a produção de veículos com modelo do ano seguinte, lembra. O sindicalista salienta ainda que, nesses casos de férias coletivas, houve acerto antecipado com o sindicato. Sairia mais caro para as montadoras e autopeças demitirem funcionários neste momento de crise para depois recontratá-los.


