O racionamento está fazendo o brasileiro aprender a duras penas o que campanhas educativas não conseguiram: como economizar energia. A Câmara de Gestão da Crise Energética (GCE) calcula que o racionamento obrigatório de 20% em 2001 vai mudar a cultura do consumo e provocar uma economia voluntária de de energia de cerca 7% em 2002 e 2003.
Técnicos do setor concordam com a tendência de redução, mas advertem que sem uma campanha permanente junto à população, a partir de agora, tudo pode ser posto a perder.
Antes da crise energética, o Ministério de Minas e Energia calculava uma demanda média de eletricidade para as regiões Sudeste e Centro-Oeste de 28,5 mil megawatts (MW). Com os consumidores aprendendo a racionalizar o uso da eletricidade, a demanda pode cair na região para uma média de 26,5 mil MW. A diferença de 2 mil MW seria o suficiente para abastecer três cidades do porte de Campinas (SP).
No Nordeste, onde a adesão ao racionamento tem sido menos intensa, a previsão da GCE é de que a demanda prevista de 6,4 mil MW médios para 2002 caia em 465 MW, o que poderia abastecer uma cidade do porte de Santo André, no ABC Paulista.
''Com as crises, as pessoas tiveram de aprender a economizar energia no susto. Para que isso se mantenha o consumidor tem de ser educado para saber que ele não precisa colocar fora de operação um aparelho elétrico ou manter desligada uma lâmpada, mas pode usá-los de maneira mais eficiente'', diz o presidente da Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia (Abesco), Eduardo Moreno.
O presidente da Abesco observa que a associação está, em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), tentando levar os conceitos de conservação de energia para as empresas paulistas. ''Empresas associadas da Abesco já fizeram trabalhos em cerca de 100 indústrias atingindo reduções no consumo de energia de até 20%, sem diminuição da produção'', conta. Moreno calcula que, em média, é possível reduzir 10% do consumo de eletricidade industrial sem prejuízos operacionais.
O gerente-executivo do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel) do Ministério de Minas e Energia, Amílcar Guerreiro, disse que um comitê foi formado na GCE para estudar maneiras de manter a economia conseguida com o racionamento.

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