O ministro de Minas e Energia José Jorge voltou a afirmar ontem, durante o 1º Forum Brasileiro de Energia Elétrica, que o racionamento no País – em algumas regiões específicas, excluindo os Estados do Sul – será ‘‘quase inevitável’’. Mesmo assim, ele preferiu não confirmar quais as medidas que serão adotadas para diminuir o consumo de energia. Segundo ele, as propostas serão discutidas na reunião do Conselho Nacional de Política Energética na próxima semana. O sistema de cotas de consumo é uma hipóteses mais fortes para entrar em operação.
José Jorge afirmou ainda que o racionamento vai depender de dois fatores importantíssimos: o nível dos reservatórios em 30 de abril e o resultado do programa de racionalização, que já está em operação. O primeiro caso já está comprometido, pois os reservatórios estão com a mesma capacidade abaixo da média, diz. ‘‘Quanto ao segundo fator, ainda não temos números para nos basearmos.’’ O governo terá de baixar um decreto determinando o racionamento.
Segundo o ministro, a área residencial será a mais afetada pelo racionamento, ‘‘pois é onde há mais gordura.’’ Por enquanto, o setor indústrial será poupado. Mas isso significa apenas que a diminuição do consumo será menos intensa. José Jorge explica que é preciso ter cuidado com essa área, já que ela interfere diretamento no crescimento da economia e no nível de empregos. ‘‘A princípio o setor deverá ser afetado com uma carga mínima.’’ Além do regime inconstante de chuvas, José Jorge atribui à crise energética brasileira a falta de investimentos no setor entre as décadas de 80 e 90. Ele afirmou, no entanto, que os investimentos já foram retomados. Mas reconheceu que há dificuldades para atrair novos investidores. A expectativa, segundo ele, é que, até 2004, haja um aumento na capacidade instalada do País entre 25 e 30 mil megawatt.
Para o diretor-executivo da Associação Brasileira das distribuidoras de Energia Elétrica (Abradee), Luiz Carlos Guimarães, as medidas de racionamento já deveriam estar em operação no Brasil. ‘‘Quanto mais tarde demorar para iniciar o racionamento, mais profundo será o corte de energia’’.
PesquisaO racionamento de energia elétrica no País já é considerado um fato consumado para a maioria da população. De acordo com a pesquisa feita pelo Instituto Sensus, de Belo Horizonte, encomendada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), 62,4% dos 2.000 entrevistados disseram que o racionamento será necessário, enquanto 33,3% afirmaram que a população buscará economizar energia.
‘‘A população está consciente do cenário energético do País, quer economizar, mas acha que o racionamento será inevitável’’, disse o presidente da CNT, Clésio Andrade. Ainda de acordo com o levantamento, feito entre os dias 13 e 19 de abril em 195 cidades, para 55,4% dos entrevistados, o perigo de falta de energia no País é verdadeiro, enquanto 37,3% afirmaram que há muito exagero na discussão sobre o risco de falta de energia elétrica.

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