Indústrias que produzem ração para animais de estimação vão sofrer com um baque forte agora no mês de maio. O governo federal aprovou no dia 29 de janeiro o Decreto 8.656, que aponta a majoração da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) que incide sobre este tipo de alimento. Na prática, esse produto será tributado em 10% na venda "a retalho", ou seja, embalagens com menos de 10 quilos. Com o aumento da carga tributária, o repasse dos valores atualizados para o consumidor deve acontecer logo em seguida. Ou seja, a ração vai ficar mais cara neste momento de crise econômica.
O Paraná é o segundo maior produtor de ração para animais de estimação do País. Estado produziu no ano passado 650 mil toneladas, perdendo apenas para São Paulo, com mais de 700 mil toneladas. O montante total nacional foi de 2,53 milhões de toneladas, crescimento de 2,66% em comparativo a 2014. Os números são da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet).
De acordo com a entidade, o segmento de "pet food" representou ano passado 67,3% do faturamento do setor. No entanto, em cada alimento embalado, incidem 49,9% de impostos - entre IPI, ICMS-ST, Pis/Cofins. Ou seja, a cada R$ 1 gasto com alimento completo, R$ 0,50 correspondem a impostos. Isso ainda sem contar a elevação de maio. O segmento industrial como um todo faturou R$ 18 bilhões em 2015, um crescimento de 7,6% em relação ao ano anterior, mas, segundo a entidade, não houve desenvolvimento real, já que o setor foi "engolido" pela elevação das matérias-primas dolarizadas e impostos em geral.
O presidente-executivo da entidade, José Edson Galvão de França, relata que aproximadamente 60% do faturamento do setor está no consumo das classes C, D e E, altamente sensíveis a elevação de preços. Segundo ele, o que pode ocorrer é que essa grande fatia consumidora não suporte o aumento caso as indústrias repassem os preços prontamente. Para a Abinpet, esse é um dos maiores retrocessos dos últimos anos. "O governo precisa atualizar seus conceitos. Participamos da criação da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva dos Animais de Estimação dentro do Ministério da Agricultura (Mapa), e um dos principais temas é a alta tributação do setor. Com mais este aumento, as famílias serão as maiores prejudicadas. Não perceber a essencialidade do setor pet e a relevância econômica faz com que o governo tome decisões equivocadas como essa, o que prejudica as indústrias brasileiras que já estão agonizando."
Um dos pontos que já vem atrapalhando a evolução do setor nos últimos meses, sem dúvida, é o aumento das matérias-primas agropecuárias - principalmente milho, soja, carnes de aves, bovinos e peixes – que compõem 95% das rações pets. "Para o setor voltar a crescer e desenvolver, é preciso que o Estado pare de classificar produtos para o bem-estar animal como supérfluos e reduza a tributação. A alimentação adequada dos pets é tão fundamental quanto é a do ser humano. A Abinpet trabalha ativamente para que os deputados promovam a redução dos impostos sobre os produtos para animais de estimação, o que vai beneficiar diretamente o pet e sua família", complementa.
De acordo com levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2013, o Brasil possui em torno de R$ 132,4 milhões de pets, divididos em 52,2 milhões de cães, 37,9 milhões de aves, 22,1 milhões de gatos, 18 milhões de peixes e 2,21 milhões de outros pequenos animais. A região Sul conta com 23% do montante total de cachorros, 21% das aves e 19% de felinos.

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