Curitiba - O Brasil deve ter investimentos de R$ 1,6 trilhão em obras, principalmente em infraestrutura, entre 2013 e 2017. São 8.948 obras e projetos no País todo que envolvem desde projetos do Programa de Aceleração do Crescimento 2 (PAC2) que ainda não terminaram, novas concessões do governo federal em rodovias, ferrovias, portos e aeroportos, investimentos do setor privado e das indústrias e dos estados e municípios. No Paraná, serão 520 obras e projetos com recursos estimados em R$ 34,4 bilhões.
Os dados fazem parte da pesquisa ''Principais Investimentos em Infraestrutura no Brasil'' realizado pela Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração (Sobratema).
Algumas das obras no Paraná que fazem parte do estudo são a modernização e instalação de novas subestações e linhas de transmissão de energia, as obras de reforma na Arena da Baixada, em Curitiba, e a construção de plataformas fixas de petróleo no Estaleiro Pontal do Paraná. Em projeto, os destaques são a Usina Hidrelétrica Telêmaco Borba, com potência de 120 MW no Rio Tibagi e a construção de uma nova fábrica da Klabin no município de Ortigueira.
O consultor da Sobratema, Brian Nicholson, disse que o baixo investimento em infraestrutura no Brasil não pode ser explicado por falta de recursos e de projetos. Segundo ele, o governo federal tem escassez de gente qualificada em áreas críticas. Além disso, ocorrem atrasos em licitações, mesmo com projetos aprovados. ''O governo se concentrou muito em política de consumo e não de investimentos'', afirmou o vice-presidente da Sobratema, Eurimilson João Daniel.
Nicholson disse que para o País crescer de forma sustentável teria que aplicar 21% a 22% do Produto Interno Bruto (PIB) em investimentos, mas hoje a taxa é de apenas 18% do PIB. Ele destacou que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, estabeleceu como meta para 2014 chegar a 21,5% do PIB, o que, segundo Nicholson, não tem perspectiva de ser realizado.
No Paraná, os maiores valores de investimentos serão em combustível e petroquímica (R$ 9 bilhões) e na indústria (R$ 8,9 bilhões), seguidos de transportes (R$ 5,8 bilhões) e energia elétrica (R$ 5,8 bilhões) - que inclui linhas de transmissão e distribuição. Do total que será aplicado pela indústria, R$ 6,8 bilhões serão só da Klabin. Segundo Daniel, o alto investimento na área industrial mostra que as empresas gostam de aplicar recursos no Estado ''porque é mais organizado e previsível''. Além disso, tem boa qualificação de mão de obra e uma população com bom nível de cultura. ''Os investidores veem o Paraná com bons olhos'', disse. Em número de obras, o maior volume previsto no Estado é na área de saneamento (360) seguido de energia (57).
Nicholson acredita que em um período de cinco a dez anos pode mudar a condição de infraestrutura do País se o governo investir nas concessões de portos, aeroportos, rodovias e ferrovias. ''A maneira de resolver a infraestrutura é um casamento entre o setor privado e o público'', disse.
O setor de máquinas para a construção também sentiu os efeitos do baixo crescimento do PIB no ano passado. O segmento teve queda de 3% nas vendas. Já para este ano, a projeção é ter um crescimento de 13%. Nicholson acredita que o governo vai conseguir dar velocidade aos projetos de investimentos de concessões na área de infraestrutura.

Imagem ilustrativa da imagem R$ 34,4 bi serão investidos no PR em infraestrutura até 2017
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