Na hora de financiar um imóvel, a desinformação pode ser o grande entrave para tornar realidade o sonho da casa própria. Muitas vezes, o consumidor se deixa levar pelas facilidades oferecidas pelas construtoras no momento de quitar a entrada do imóvel (geralmente estipulada em até 30%) e não se preocupa com os requisitos necessários para que o financimento do restante do bem seja liberado. De acordo com dados da Caixa Econômica Federal, por volta de R$ 13 milhões do Programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) foram barrados em 2011 na região Norte do Estado. O resultado são centenas de casas e apartamentos desocupados pelas cidades até que o dinheiro seja liberado. Até o final do ano, a expectativa da Caixa é liberar R$ 1 bilhão para o programa na região de Londrina.
Segundo Ubiraci Rodrigues, gerente regional de construção civil da Caixa, os motivos mais frequentes para a rejeição dos financiamentos são quando o consumidor pleiteia um valor com o banco maior do que pode assumir como prestação, possui restrições cadastrais em algum órgão ou já foi beneficiado por algum tipo de subsídio imobiliário. ''Isso corresponde a apenas 5% dos financiamentos que liberamos, mas acontece. Para ingressar no MCMV, é necessário atender diversas regras bem rígidas. Mas por algum motivo, na hora da venda, a construtora pode não detectar alguma exigência e é possível que o consumidor não consiga se enquadrar no financiamento posteriormente'', explica.
O gerente da Caixa ressalta que são comuns os financiamentos parados porque os clientes buscam imóveis com valores que não cabem no bolso deles. Para que o financiamento seja aprovado, o indivíduo acaba fazendo a chamada ''composição de renda'' com outros membros da família. ''O problema é que esta pessoa que entra apenas para compor renda fica com o CPF ''marcado''. Com isso, não pode conseguir outros benefícios do programa habitacional como, por exemplo, taxas de juros reduzidas.
Além disso, o mutuário pode cair numa armadilha comum: ao financiar o imóvel utilizando composição de renda, a prestação pode ultrapassar 40% da renda líquida familiar. ''Realizamos um financiamento cuja prestação será de 30% da renda bruta. O problema, é que quando você equipara com a renda líquida, dá alguma coisa acima de 40% de comprometimento. O ideal é que a família comprometa no máximo 20% da renda com o financiamento imobiliário'', avalia.
Outro detalhe que fica em segundo plano para quem vislumbra ingressar no MCMV é fazer uma pesquisa sobre as possíveis restrições do CPF antes de tentar o empréstimo. Isso porque a Caixa trabalha com um programa chamado de ''behaviour score'', que avalia o comportamento desta pessoa tomadora de crédito. Por exemplo, a simples busca neste cadastro restritivo já é registrada pelo programa. Se a pessoa for barrada diversas vezes, o sistema pode acusar um comportamento de risco para o financiamento. ''Tem muita gente que está no cadastro restritivo e nem se lembra. Às vezes por coisas pequenas, como uma conta de telefone atrasada'', completa.

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